Acordo para o Japão instalar fábrica no Brasil era blábláblá
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terça-feira, 20 de maio de 2008
Gerusa Marques<br>Agência Estado 
Brasília - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, colocou ontem um ponto final na expectativa brasileira de que empresas japonesas instalem no Brasil uma fábrica de semicondutores como contrapartida à escolha do padrão japonês de TV digital. De acordo com o ministro, o governo continua trabalhando para ter uma fábrica dessas, mas as negociações não envolvem mais a TV digital.
O documento assinado em 2006 entre os governos do Brasil e do Japão não chegou, segundo Jorge, a ser nem um memorando de entendimentos. ''Era mais blablablá'', afirmou o ministro, após participar, em Brasília, do ''Fórum Executivo sobre Circuitos Integrados''.
Na época, o governo brasileiro apresentou como principal exigência para a escolha do padrão japonês a construção da fábrica de semicondutores no País, com investimentos de empresas japonesas, mas até agora nenhum projeto foi levado adiante.
Para tratar da escolha do padrão japonês, uma delegação brasileira foi em 2006 ao Japão, liderada pelos ministros das Comunicações, Hélio Costa, e das Relações Exteriores, Celso Amorim. Na oportunidade, foram assinados vários documentos, inclusive um compromisso de se discutir a instalação da fábrica.
''Eu vi esse documento. Eu nem chamaria de documento de intenções. Pelo que eu li, ele não chegava nem a ser um memorando de entendimento'', disse Jorge, depois de participar do Fórum. ''Era uma coisa, muito assim, de que estava disposto a estudar. Para ser muito franco, era mais blablablá. Acredito que era o que era possível negociar naquele momento'', acrescentou.
Segundo ele, a TV digital já é uma realidade no Brasil e não é possível mais exigir contrapartidas. ''Se você tinha uma discussão de 'trade off' entre TV digital e outra coisa qualquer, independentemente do que fosse, isso já foi, já acabou'', insistiu.
Jorge disse que o Ministério do Desenvolvimento, vem realizando desde o ano passado um trabalho para atrair empresas de semicondutores. ''Mas essas conversas são muito fechadas e nós não podemos adiantar nada'', afirmou.
Ele disse que diferentemente de três anos atrás, quando se intensificaram as negociações para a escolha da TV digital, o Brasil hoje tem um ambiente econômico mais favorável.


