Arquivo FolhaDornelles: sistema comum no MercosulO ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo, Francisco Dornelles, disse ontem que até o dia 30 de abril o acordo para o regime automotivo do Mercosul estará concluído. Dornelles defendeu que, em linhas gerais, o acordo estabeleça uma Tarifa Externa Comum (TEC) para todos os países membros do Mercosul e uma liberdade total de comércio entre os participantes do grupo. O regime só entrará em vigor no dia 1º de janeiro de 2000.
O ministro - que esteve reunido ontem com uma delegação comercial argentina - informou que no ano passado o Brasil exportou para o país vizinho US$ 993 milhões em automóveis e importou US$ 1,9 bilhão. O déficit de cerca de US$ 1 bilhão, segundo Dornelles, foi compensado pelas exportações de autopeças brasileiras para a Argentina, feitas dentro do sistema automotivo bilateral. ‘‘Não temos problemas’’, garantiu. ‘‘Queremos marchar para um sistema comum no Mercosul’’, contou.
Para Dornelles, quanto mais cedo for concluído o acordo, mais claras ficam as regras do regime para os ‘‘agentes econômicos’’ interessados. O secretário de Indústria e Comércio da Argentina, Alieto Guadagni, que participou do encontro, concorda com o ministro brasileiro e festeja as relações comerciais bilaterais. ‘‘Cremos que iremos superar com êxito a convulsão dos mercados mundiais, e o fluxo de comércio entre nossos países vai continuar aumentando’’, afirmou.
Guadagni frisou que o mercado interno argentino está crescendo esse ano e que as vendas de automóveis em janeiro foram 45% maiores que no mesmo mês do ano passado. Foram vendidos 35 mil veículos em janeiro, informou. O secretário lembrou que o regime automotivo ainda terá que ser discutido com representantes do Paraguai e do Uruguai. ‘‘Será uma negociação simultânea’’, disse ele. Guadagni afirmou que na reunião de hoje Brasil e Argentina estavam apenas chegando a posições conjuntas. ‘‘Estamos analisando as perspectivas de nossas indústrias e discutindo as posições de nossos países’’, concluiu.
No Brasil, segundo Francisco Dornelles, os incentivos dados pela legislação para instalação de montadoras vão até o final de 1999. Segundo o ministro a tendência, neste ano, é de não aprovar nenhum outro programa. ‘‘Quem tinha que vir já veio’’, analisou o ministro. Ele não quis comentar a possibilidade de montadoras que se beneficiaram importando carros pelo regime e não cumpriram seus compromissos. ‘‘Em março todas as empresas vão apresentar suas auditorias para ver se cumpriram com as suas obrigações com o Brasil’’, limitou-se a dizer. Em 1997, informou o ministro, o Brasil produziu 2,067 milhões de carros, importou 300 mil e exportou 411.700 carros. Neste ano, deverão começar a funcionar as fábricas da montadora americana Chrysler - com produção de 6.000 carros - e da francesa Renault.

mockup