GENEBRA, Suíça - O acordo para liberalização e regulamentação do mercado mundial das telecomunicações poderá ser concluído hoje à noite, na Organização Mundial do Comércio, porque ofertas de última hora feitas por alguns dos 57 países envolvidos nas negociações teriam convencido o governo dos EUA.
No final da tarde de ontem, essa era a opinião de europeus, asiáticos e latino-americanos. Os representantes dos EUA estavam reservados, porque a palavra final dependerá dos resultados de um encontro marcado para hoje, em Washington, entre funcionários do Departamento do Comércio, congressistas e empresários.
A expectativa de uma conclusão das negociações, que se arrastam desde 1995 e envolvem negócios com retorno anual de mais de US$ 600 bilhões, cresceu com a decisão da Coréia do Sul de elevar de 33% para 49% a parcela das suas companhias que poderá ser adquirida por estrangeiros.
Como o Brasil, o México e a Argentina, a Coréia do Sul integra o grupo de 10 mercados mais importantes do mundo em telecomunicações, com movimentação anual de US$ 9 bilhões. Em sua nova oferta, o governo sul-coreano assume também o compromisso de aceitar as regras.
Representantes dos EUA concordavam ontem que a ‘‘massa crítica’’ desejada já foi praticamente alcançada. Mas diziam que Washington ainda tinha esperanças de convencer Canadá e México a imitarem o gesto da Coréia do Sul e a elevarem a porcentagem de suas companhias.
O Canadá é o 5º maior mercado de telefonia do mundo - depois de EUA, UE, Japão e Austrália - e só admite a propriedade estrangeira em 46,7% de suas companhias.
De qualquer modo, o feixe de propostas é hoje muito superior ao grupo formado no final das negociações em abril, e rejeitado pelos EUA. Os 57 países com ofertas na mesa, de abertura dos seus mercados, respondem por cerca de 91% de toda a renda obtida mundialmente com serviços de telecomunicações, excluindo-se aí a China e a Rússia.
Um acordo mundial, segundo o secretário-geral da OMC, significaria redução nos custos da telefonia para os usuários comuns, melhoria da infra-estrutura geral, a produção de equipamentos mais modernos, aumento dos lucros das companhias do setor e das empresas em geral e a ampliação das redes em todo o mundo.

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