O economista e presidente da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antonio Corrêa de Lacerda, avaliou ontem que o novo acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê o empréstimo de US$ 15 bilhões até dezembro de 2002, ‘‘pode tornar menos complicado o financiamento de nossas contas externas’’. ‘‘O espaço para o crescimento da economia brasileira diante deste cenário, fica limitado a 2% este ano e alguma coisa próxima de 3% em 2002.’’ Ele também previu que o acerto terá um efeito positivo sobre o câmbio e pode ‘‘reduzir a cotação do dólar já na segunda-feira’’.
No entanto, o economista afirmou que o compromisso com o Fundo tem de ser visto como uma saída de emergência e não como uma solução definitiva. ‘‘Estamos apenas adiando a solução do problema da vulnerabilidade externa da economia brasileira. Essa solução deverá vir com um superávit comercial e criação de outras formas de geração de divisas, como na conta turismo e outros itens da balança de serviços’’, alertou.
Para Lacerda, recorrer ao FMI é ‘‘um mal necessário’’ porque o Brasil criou uma dependência de recursos externos significativa. ‘‘Nosso passivo externo cresceu US$ 170 bilhões. Temos para os próximos 18 meses necessidade de recursos de US$ 75 bilhões para cobrir o déficit em conta corrente mais os vencimentos da dívida externa’’, argumentou.

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