O anúncio do acordo preliminar entre o governo argentino e os governadores das províncias provocou ontem euforia nos mercados brasileiros à tarde e fez o dólar e os juros derreterem e a bolsa disparar. Os títulos da dívida externa argentina e brasileira também reagiram com altas fortes e as taxas de risco país e de overnight na Argentina despencaram.
Internamente, o câmbio comercial levou um tombo de 1,84%, ao fechar vendido a R$ 2,5620 menor cotação desde 4 de setembro. A desmontagem de posições de hedge cambial (proteção) por tesourarias de bancos e fundos de pensão nos mercados à vista e futuro da BM&F refletiu o interesse desses investidores em realizar lucro ''dobrado'', disse Sérgio Machado, diretor de Tesouraria do Banco Fator, referindo-se aos ganhos obtidos anteriormente com a disparada dos preços e, agora, com a forte queda.
Na BM&F, o contrato de dólar que vence em 1º de dezembro projetou recuo de 1,93%, a R$ 2,5870; e o contrato com vencimento em 1º de janeiro, queda de 0,83%, a R$ 2,6315. Apenas o contrato que vence em 1º de abril indicou alta de 0,65%, a R$ 2,7780.
Operadores disseram que o dólar só não caiu mais ontem por causa do cancelamento do leilão de venda da Copel (leia mais na capa deste Caderno), por falta de interessados. A suspensão do leilão por tempo indeterminado acabou com as expectativas imediatas do mercado de eventual fluxo de ingresso de recursos no País decorrente da venda da empresa, que tem preço mínimo de R$ 5,068 bilhões (equivalentes a US$ 1,9 bilhão pelo fechamento do câmbio de ontem).
A avaliação do mercado é de que, por causa da melhora do ambiente nos últimos dias, o dólar comercial tende muito mais a se aproximar do nível de R$ 2,50 do que da cotação de R$ 2,70.

mockup