Acordo inédito corta jornada e salários
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quarta-feira, 10 de dezembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Marie Hippenmeyer/AFPNegócio fechadoThales Peçanha, do Sindipeças, e Luiz Antônio Medeiros, da Força Sindical: trégua nas demissões Redução de salário, com aval de sindicatos, virou realidade desde ontem e é uma fórmula que tende a se generalizar, em troca de um pequeno período de trégua nas demissões. Sindicatos de metalúrgicos do estado de São Paulo filiados à Força Sindical firmaram acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) que reduz, de janeiro a março, a jornada em até 25% e o salário em até 10% nas empresas que estiverem em dificuldades, em troca de estabilidade no emprego até 31 de maio.
Isso significa prejuízo total do correspondente em dinheiro a 52 horas e 50 minutos de trabalho para os operários durante os três meses. Para as empresas, a economia na folha de pagamento será de 13%, por conta de alguns encargos que encolherão por incidirem em menores salários, segundo o negociador do Sindipeças, Dráusio Rangel.
Caso alguém seja demitido após o período de estabilidade - mas apenas durante o ano de 1998 - receberá de volta o dinheiro perdido na vigência dos salários reduzidos. A redução não trará prejuízo a direitos como férias, 13º salário e FGTS.
O acordo só vale depois que assembléias nas empresas aprovarem o modelo. Mas dificilmente haverá recusa, segundo sindicalistas. Mais provável é que a fórmula se alastre até que a economia volte a ficar aquecida.
Desde o dia 28, quando começou a negociação com o Sindipeças, sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) acusam os da Força Sindical de irresponsabilidade, por conta da redução de salários. Pereira não se abala. Topo conversar com qualquer sindicato patronal sobre isso porque a prioridade agora é emprego, afirmou.
Por enquanto, o acordo vale para empresas de autopeças, forjados e parafusos e para 49 sindicatos de metalúrgicos da Força Sindical do estado de São Paulo - ou os que tiverem empresas destes segmentos nas suas bases. O acordo será assinado quinta-feira. De acordo com Rangel, a expectativa é de que 70% das cerca de 600 empresas destes segmentos, filiadas ou não ao Sindipeças, queiram aderir - ou seja, pelos seus cálculos, a redução de jornada e salários valeria para perto de 420 empresas e 70 mil empregados. A razão do acordo, segundo sindicalistas e empresários, é a de evitar 8 mil dispensas.
O presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, disse que dificilmente o acordo será prorrogado por mais três meses, de abril a junho. A lógica deste acordo foi a de fazer uma ponte entre este momento, de grande dificuldade, e abril, quando é esperada a queda de taxa de queda de juros e recuperação da economia, disse Medeiros. O acordo não vale para os sindicatos controlados pela CUT, que representam outros 73 mil trabalhadores do setor.


