O acordo entre o governo e o FMI (Fundo Monetário Internacional) traz uma expectativa de queda do déficit externo brasileiro, que deverá ser reduzido de 4,2% do PIB, previsão para 1998, a 3,5% em 1999. Essas são as projeções para o déficit em conta corrente, que soma as transações de bens e serviços com o exterior e indica a dependência do País em relação ao capital externo. Quanto maior o déficit, mais capital é necessário atrair para evitar perda de reservas.
Em valores de setembro, o déficit corrente previsto para este ano é de cerca de US$ 33 bilhões. Na mesma base de comparação, em 1999 ele estaria em US$ 27,5 bilhões. Conforme o texto, o déficit em transações correntes dos anos subsequentes deve se manter nesse mesmo nível. O texto assinala essa previsão, ‘‘apesar da expectativa de recuperação da demanda doméstica’’. Ou seja, mesmo com o impacto negativo de um possível aumento do consumo de bens importados quando a economia voltar a crescer, o que se espera para o segundo semestre.
O cálculo das transações correntes do País com o exterior inclui os resultados das balanças comercial (exportação menos importação) e de serviços (receitas menos despesas com juros, transportes, seguros, remessa de lucros etc.) e das transferências unilaterais (dinheiro remetido ao Brasil por residentes no exterior sem relação comercial ou financeira).
Segundo o ministro Pedro Malan (Fazenda), a soma do déficit em transações correntes com as amortizações da dívida externa deverá alcançar pouco mais de US$ 60 bilhões em 1999. Nas suas contas, entretanto, a necessidade de financiamento não deverá ultrapassar US$ 20 bilhões.
De acordo com Malan, entre US$ 19 bilhões e US$ 20 bilhões em investimentos externos diretos deverão entrar no país no próximo ano. De US$ 20 bilhões a US$ 23 bilhões ingressarão como financiamento às importações. ‘‘Sem contar nenhum outro tipo de fluxo de capital, o déficit ficaria em menos de 20 bilhões’’.
Ou seja: no pior dos cenários traçados pela equipe econômica, seria necessário usar algo próximo a US$ 20 bilhões da ajuda externa anunciada ontem para evitar perda de reservas em 99. Conforme o texto do memorando, o governo deverá limitar o crescimento da dívida pública externa em ‘‘limites prudentes’’ em 1999, de cerca de US$ 10 bilhões.

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