Guto Rocha
Representantes da indústria de agrotóxicos, Prefeitura de Cambé, Ministério Público e entidades ligadas aos produtores rurais do município firmaram um acordo ontem que deve solucionar o problema de destinação das embalagens de agroquímicos. Pelo acordo, que saiu depois de três horas de debate no Fórum de Cambé, as indústrias se comprometem a recolher as embalagens que forem armazenadas em um depósito construído pela Prefeitura.
O Promotor de Justiça, Miguel Jorge Sogaiar, que convocou a reunião, disse que se não houvesse acordo, ele iria acionar judicialmente as indústrias. ‘‘Não queremos transferir o problema para as indústrias, estamos tentando resolvê-lo conjuntamente’’, afirmou.
O representante do Sindicato Nacional das Indústrias de Defensivos Agrícolas, José Roberto Fontes, disse que a solução esbarra na lei que trata do transporte de embalagens de agrotóxicos. ‘‘É preciso alterar esta lei’’, afirmou. Fontes afirmou que as indústrias estão dispostas a orientar a prefeitura a manusear as embalagens nos depósitos para depois serem enviadas para a reciclagem.
O assessor técnico da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Luiz Felippe Fontes, observou que no Paraná existem duas unidades de recebimento, uma em Palotina e outra em Santa Terezinha do Itaipu, que têm estocadas 70 toneladas de embalagens. Estas embalagens seriam enviadas para São Paulo e Rio de Janeiro para serem recicladas. ‘‘Mas por falta de apoio o transporte das embalagens está suspenso’’, afirmou. Fontes observou ainda que no Paraná outras experiências, como em Maringá e Medianeira, fracassaram por falta de comprometimento dos segmentos envolvidos no processo.
Fontes disse que a reciclagem é a única saída, já que a reutilização das embalagens pelas próprias indústrias é impraticável. ‘‘Mesmo com a tríplice lavagem, as embalagens plásticas conservam pequena quantidade de resíduo, o que comprometeria o efeito do novo produto envasado’’, explicou.
O técnico da Andef afirmou que no Estado de São Paulo, a unidade de recebimento de Guariba, na região de Ribeirão Preto, está funcionando. ‘‘Entre janeiro de 94 e dezembro de 97, a unidade recolheu 730 toneladas de embalagens’’, afirmou.
Segundo o prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia (PMDB), a prefeitura irá doar um terreno e construir o barracão para abrigar as embalagens que passarem pela tríplice lavagem nas propriedades.

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