Acordo facilita exportação de carnes para Argentina
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quarta-feira, 12 de setembro de 2001
Gecy Belmonte<br>Agência Estado 
A partir da próxima semana as exportações de produtos brasileiros de origem animal para a Argentina deverão ser facilitadas em decorrência de acordo de equivalência sanitária firmado ontem pelo Ministério da Agricultura com o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa).
Segundo o chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do ministério, Rui Vargas, o Brasil irá enviar ao Senasa, até amanhã, uma lista de 120 frigoríficos nacionais que o governo considera aptos a exportar carnes e derivados e produtos lácteos, entre outros itens, para o país vizinho.
Nesse mesmo espaço de tempo o presidente do Senasa, Bernardo Cané, se comprometeu a enviar a lista de estabelecimentos recomendados pela Argentina para exportar seus produtos de origem animal ao Brasil. Vargas explicou que esse tipo de acordo tem como objetivo evitar algumas barreiras técnicas que vinham limitando a troca comercial entre os dois países.
O chefe do departamento alertou, contudo, que o chamado ''princípio da precaução'', previsto nas regras agrícolas da Organização Mundial do Comércio (OMC), continuará prevalecendo. Ou seja, toda vez que um dos países detectar que há algum risco de saúde pública provocado por doenças de origem animal, o acordo poderá ser suspenso por uma das partes.
Durante a reunião com os técnicos do Senasa, em Buenos Aires, foram iniciadas as discussões visando a elaboração de um programa de certificação sanitária entre Brasil e Argentina. Com esse programa os dois países poderão negociar mais facilmente produtos de seus interesses. No caso do Brasil, o objetivo é o de ampliar as exportações de carnes de aves, suínos, sêmen de equino e embriões de bovinos.
A Argentina tem interesse de vender ao Brasil aves, suínos vivos e ovos férteis. Para que o programa seja implementado, técnicos brasileiros e argentinos estão listando as regras vigentes em cada país na área de certificação sobre resíduos biológicos, hormônios e anabolizantes, por exemplo, além de procedimentos adotados para combater doenças como ''new castle'' (doença de fundo nervoso que ataca as aves) e ''influenza'' (gripe), e ''trichinelose'' (parasitose).
''Vamos tentar chegar a um consenso sobre regras comuns aos dois países. Mas se isso não for possível cada país apresentará as suas normas que deverão ser acatadas pelo outro parceiro'', observou. O Ministério da Agricultura também acertou com o Senasa a implementação de ações conjuntas para combater doenças de origem animal que vêm se manifestando nos rebanhos dos dois países.


