A administração do camelódromo informa não ter controle sobre o número de itens oferecidos cujos preços podem variar de R$ 1 a perto de R$ 1.200 , do faturamento mensal dos camelôs, e nem do número diário de visitantes. ''Calculamos que, em média, um bom sábado traga seis ou sete mil consumidores até aqui. Na véspera do Dia da Criança, que foi nosso maior movimento no ano, passaram por aqui cerca de 15 mil pessoas'', afirma o presidente da ONG Canaã, ressaltando que a maior atração do camelódromo são os baixos preços dos produtos oferecidos.
Sabino conta que neste ano os camelôs não tiveram problemas com a fiscalização dos órgãos arrecadadores de impostos: ''Temos microempresas beneficiadas pelo Simples e recolhemos todos os impostos devidos. Podemos oferecer produtos com preços menores porque operamos com mão-de-obra familiar e só compramos dos fornecedores à vista. Na negociação que possibilitou a mudança dos camelôs para aqui, ficou definido que teríamos o prazo de um ano para toda a regularização documental de nossas empresas. Por isto, estamos tendo uma complacência da fiscalização. A partir do início do próximo ano, todos os camelôs têm que ter sua situação regularizada no que toca a alvarás, CNPJ e outros documentos.''
Segundo o presidente da Canaã, todas as providências para que este acordo firmado com a CMTU seja cumprido estão sendo tomadas pelas suas assessorias contábel e jurídica. ''Tivemos este prazo para assentar a poeira da mudança, para adequação dos camelôs e dos consumidores ao novo espaço, e para estabilizar nosso negócio. Agora, vamos à fase final de regularização às exigências legais'', explica Sabino.
Ele ressalta que a venda de algum produto ilegal, como por exemplo CDs piratas, não é responsabilidade da administração do camelódromo, que não tem poder de fiscalização sobre o que cada um dos boxes oferece ou deixa de oferecer aos visitantes. ''A responsabilidade sobre as mercadorias a venda é de cada camelô. Seria hipocrisia dizer que em um camelódromo do tamanho do nosso, ou em outro qualquer, não há CD pirata a venda. Mas este é um problema nacional, que passa pelo desemprego, pelos baixos salários. Só tem gente vendendo porque há pessoas comprando. As autoridades devem entender que aqui os camelôs estão suando muito para ganhar o pão de cada dia para sua família''.

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