Acordo entre União Européia e Mercosul fica para 2004
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terça-feira, 14 de maio de 2002
Guto RochaReportagem Local 
Brasília A conclusão de um acordo comercial entre União Européia (UE) e o Mercosul só deve acontecer no final de 2004. Essa foi a previsão apresentada por embaixadores da UE e do Brasil reunidos em Brasília no seminário União Européia, América Latina e Caribe: Rumo à Cúpula de Madri, realizado na semana passada. Mas não existe uma definição política sobre esta data, observou o embaixador Rolf Timans, Chefe da Delegação da Comissão Européia.
A Cúpula de Madri, marcada para sexta-feira na capital espanhola, é a continuação da Cúpula do Rio, realizada em junho de 1999. Segundo o embaixador Luiz Augusto de Araújo Castro, subsecretário-geral de Assuntos Multilaterais do Ministério das Relações Exteriores, o evento em Madri irá tratar de três pontos básicos nas relações entre a UE e o Mercosul.
Temas políticos como promoção da democracia, fortalecimento dos Estados, cooperação contra terrorismo e narcotráfico são o primeiro tópico. Outro ponto abordará aspectos econômicos como arquitetura financeira internacional, comércio birregional na América Latina e financiamento ao desenvolvimento da região. Os temas sociais do encontro incluem diversidade cultural, ciência e tecnologia, saúde, educação e meio ambiente.
O Mercosul e UE já vêm negociando acordo político e social, que estão quase prontos. Já o comercial ainda está em debate com ofertas e contrapropostas das duas partes. Acho que na Cúpula de Madri este ponto terá um avanço, observou Araújo Castro.
Crise Argentina O embaixador Timans observou que o Mercosul é mais interessante para a UE quanto maior for a integração entre os países que formam o bloco. Rolf Timan observou que a consolidação dessa integração dará suporte para que a Argentina supere a crise que atravessa.
No entanto, o embaixador não sinalizou que um apoio concreto à Argentina deva ser definido na Cúpula de Madri. Ele observou que a UE já facilitou a importação de produtos agrícolas argentinos. Não há nenhuma iniciativa da UE de abrir mais o mercado para a Argentina. Mas a reunião em Madri poderá conduzir a outras formas de apoio. Ele admitiu que a crise do país vizinho teve impacto negativo nas negociações entre os dois blocos. Acabou afetando as definições de propostas comerciais, comentou.
O embaixador da Espanha, José Cordech Planas, observou que o interesse na solução da crise argentina é mútuo e que a aposta da UE sobre o Mercosul é sólida. Este momento difícil será superado e o Brasil tem tido papel importante, comentou. Segundo ele, a intenção da UE é intensificar o diálogo, mas ele também não falou em apoio concreto.


