Acordo entre trabalhadores e Volvo pode reduzir demissões
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sexta-feira, 04 de dezembro de 1998
Carmem Murara 
A montadora Volvo do Brasil decidiu reduzir pela metade o número de trabalhadores que serão demitidos até o próximo dia 18 de dezembro. A princípio seriam cortados 200 funcionários que trabalham na linha de montagem de ônibus e caminhões, mas devido a uma negociação entre a diretoria da empresa e a comissão de fábrica, há a disposição de diminuir os cortes, ficando em menos de 100 funcionários. O acordo proposto pela Volvo e as sugestões apresentadas pela comissão serão analisados hoje pelos operários, em uma assembléia geral marcada para iniciar às 17h15, em frente ao portão da fábrica, na Cidade Industrial de Curitiba.
O corte de funcionários faz parte do programa mundial da montadora, que atinge todas as unidades. No Brasil, a meta era reduzir em 10% os gastos da fábrica, o que iria representar uma economia de R$ 4 milhões apenas na linha de produção. A idéia inicial da área de Recursos Humanos era fazer a economia demitindo funcionários.
Mas houve uma segunda alternativa: cortar gastos. A comissão de fábrica tomou a iniciativa de apresentar à empresa um programa de enxugamento de despesas. Entre as propostas sugeridas estão a redução do valor do ticket refeição, o aumento do pagamento pelo transporte coletivo para a fábrica e mudanças no sistema de banco de horas. Propusemos incorporar algumas idéias propostas pelo governo federal ao banco de horas, afirmou ontem o presidente da comissão de fábrica, Nelson Silva de Souza.
Ele disse que não houve um acordo para evitar todas as demissões, mas informou que quem perder o emprego receberá algumas gratificações. Os demitidos terão 50% do salário por ano trabalhado, mais seis meses de plano de saúde e ainda seguro de vida.
Esta será a segunda demissão da Volvo em menos de dois meses. No final de outubro, a montadora dispensou o serviço de 64 operários. A empresa passa por um período de redução de vendas, que, segundo a assessoria de imprensa da Volvo, é reflexo da economia nacional. A partir do dia 21, os funcionários entram em férias coletivas.


