A conclusão de um programa financeiro internacional de apoio ao Brasil está próxima, afirmou ontem o diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus. Durante pronunciamento em Nova Iorque, Camdessus acrescentou que ‘‘provavelmente se em vez de 10 de novembro, tivesse falado com vocês no dia 11 de novembro, teria podido anunciar um programa de várias dezenas de milhares de milhões de dólares para o Brasil. Mas não está longe’’.
‘‘A nossa primeira tarefa é garantir que o efeito dominó da crise não atinja a América Latina e isto está sendo feito. O Brasil tem um bom programa, nós o apoiamos, e acho que será apoiado vigorosamente pela comunidade de investidores. Acho que a crise será contida lᒒ, afirmou Camdessus, durante reunião organizada pelo comitê nacional de conselheiros do comércio exterior da França em Nova Iorque.
‘‘Estamos no centro de uma tragédia’’, acrescentou, ao comentar a situação financeira internacional. ‘‘Tínhamos previsto um crescimento de 4% mas será de 2% este ano e de 2% ano que vem’’. Estimou que esta tragédia se desenvolveu em quatro atos, com a crise asiática, a crise na Rússia, a crise na América Latina e, finalmente, a crise do fundo especulativo, hedge found, Long Term Capital Management.
‘‘Esta crise é grave’’, destacou Camdessus. ‘‘Será necessário um pouco de sorte para que os elementos positivos que se percebem no mercado nos últimos quinze dias, ou nas últimas três semanas, se confirmem’’, acrescentou, embora prevenisse que ‘‘um acidente é sempre possível’’.
Afirmou no entanto que os programas do FMI aplicados na Ásia ‘‘caminham’’. ‘‘Os balanços de pagamentos têm superávits importantes, as taxas de juros voltarão, com exceção da Indonésia, em níveis mais baixos que antes da crise e as reservas de divisas em níveis mais elevados. Mas também foram perdidos empregos e crescimento; e é necessário reconstruir os sistemas bancários e as estruturas econômicas básicas’’, declarou Camdessus, admitindo que ‘‘isso levará tempo’’.Arquivo Folha‘Situação grave’Camdessus: ‘‘Estamos no centro de uma tragédia. O crescimento previsto de 4% este ano será de 2%’’Pacote fiscal tem apoio internacional e anúncio do programa de ajuda é iminente, diz Camdessus

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