O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, confirmou ontem em São Paulo que o governo está disposto a renovar o acordo de emergência do setor automobilístico, que reduziu impostos e garantiu a manutenção de empregos, mas os benefícios fiscais deverão ser inferiores aos atuais. Ele também afirmou que os carros populares serão os mais privilegiados nessa renegociação do acordo.
No programa em vigor, que vence no dia 17, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros populares caiu de 10% para 5% e o dos carros médios de 25% e 30% para 17%. As novas bases devem ser alteradas. ‘‘Assim como as montadoras estão defendendo a necessidade de reajustar preços, o governo vai rever o tamanho da sua renúncia fiscal’’, disse Lafer.
Hoje será realizada em São Paulo a primeira reunião entre o secretário do Desenvolvimento, Hélio Mattar, e representantes de montadoras, trabalhadores, revendedores e fabricantes de autopeças para discutir as novas bases do programa, que depende ainda da comprovação das indústrias de que realmente estariam operando com prejuízos e, portanto, precisaram reajustar os preços dos carros.
No início da semana passada, as fabricantes anunciaram reajustes de até 10% e suspenderam os bônus que vinham concedendo desde o início do acordo, em 4 de março, o que resultou em aumentos de até 12% nos preços ao consumidor. O governo, a princípio, suspendeu as negociações de renovação do acordo, mas voltou atrás e chamou as partes envolvidas para novas discussões.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, que participará da reunião de hoje, disse que vai insistir para que as montadoras adotem reajustes de no máximo 5%. Para ele, a renovação do acordo deve ser feita por mais três meses.
Embora as montadoras já tenham um estudo indicando prejuízos de US$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre deste ano, uma nova consultoria, a Trevisan, foi contratada para fazer uma auditoria nos balanços que serão fornecidos pelas empresas. Segundo Lafer, o governo está preocupado com a manutenção de empregos, mas não quer que uma provável isenção de impostos se desdobre em lucro adicional para o setor automobilístico.
O ministro Lafer, que participou de um encontro com empresários realizado pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, disse ainda que a renegociação do acordo de emergência vai incluir planos para o aumento da escala de produção de veículos para que o setor se transforme em uma plataforma de exportações.
No ano passado as montadoras exportaram o equivalente a US$ 5 bilhões. Para este ano, a previsão do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, é de um crescimento de 10%. A expectativa está ancorada principalmente na desvalorização cambial, que deixou os produtos brasileiros mais competitivos no exterior. De janeiro a abril, no entanto, as vendas externas do setor somaram US$ 1,015 bilhão, 43% a menos do que em igual período de 1998.

mockup