Agência Estado
De São Paulo
‘‘Saímos do atoleiro’’, foi uma das frases mais ouvidas entre representantes dos governos do Brasil e da Argentina ontem à tarde, em Buenos Aires. O motivo de comemoração era a assinatura, por parte de empresários do setor de papel dos dois países, de acordo que conclui o conflito comercial que estava pendente. Junto com o acordo assinado na quarta-feira, em Montevidéu, sobre os calçados, o do papel serviu como sinal de que a paz chegou ao Mercosul, que desde o começo do ano havia sido abalado por medidas protecionistas argentinas e as consequentes retaliações brasileiras.
O acordo estabelece que no período de 12 meses entre 1 de outubro de 1999 e 30 de setembro de 2000 o Brasil terá uma cota fixa de 5.083 toneladas mensais para suas exportações de papel de impressão e escrita não encapado para a Argentina. No total, serão 61 mil toneladas nos doze meses.
Segundo Boris Tabacof, presidente da Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel) que assinou o acordo no Palácio San Martín, sede da chancelaria argentina, ‘‘os valores não implicam em uma redução significativa das vendas brasileiras. Em 1997 exportamos 65 mil toneladas à Argentina e em 1998, 72 mil toneladas’’. Ele sustentou que o governo argentino se comprometeu a aceitar que as certificações do produto serão feitas por órgãos brasileiros.
Tabacof sustentou que ‘‘o Mercosul é para valer. Esta crise demostrou que os empresários precisam participar do processo de integração’’. Tabacof negou que o setor, tanto no Brasil como na Argentina, tenha sofrido pressões de ambos os governos: ‘‘Mas houve uma sinalização de que dificuldades poderiam colocar em risco a credibilidade do Mercosul’’.
A assinatura do acordo foi acompanhada por empresários do papel dos dois países, representantes diplomáticos da Argentina e Brasil, e representantes das Comissões Parlamentares Conjuntas do Mercosul. O Secretário de Relações Econômicas Internacionais, Jorge Campbell, principal negociador argentino no Mercosul, elogiou os empresários, afirmando que ‘‘é difícil fazer um acordo em tempos de crise econômica’’. Segundo Campbell, ‘‘eles demostraram uma sensatez muito grande, e é uma evidência de que o Mercosul continuará crescendo’’.
Os sinais de paz também surgem no setor do aço, onde já se vislumbra acordo e ainda no setor de lácteos, onde houve avanços nas negociações para as normas técnicas.

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