Acordo deve reduzir as tarifas aéreas
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quarta-feira, 18 de dezembro de 1996
Agência Estado<br> de Fortaleza 
Os presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso; da Argentina, Carlos Menem; da Bolívia, Gonzalo Sanchez de Lozada; do Chile, Eduardo Frei; do Paraguai, Juan Carlos Wasmosy; e do Uruguai, Julio Maria Sanguinetti, assinaram ontem o Acordo sobre Serviços Aéreos Subregionais. A partir de agora as empresas aéreas de transporte regular dos seis países poderão voar na região sem a correspondente reciprocidade, até agora obrigatória no setor de transporte aéreo internacional.
É o primeiro acordo aéreo multilateral celebrado no mundo até ontem, destacou o presidente da Comissão de Estudos Relativos à Navegação Aérea Internacional, do Departamento de Aviação Civil (DAC), major-brigadeiro Renato Pereira.
O subsecretário de Aviação Civil do Paraguai, Jorge Cariaga, que participou da 11ª Reunião do Mercosul, é um exemplo de quanto os países estão afastados um dos outros atualmente. Ele levou 20 horas no trajeto La Paz-Fortaleza porque teve que fazer escalas em Santa Cruz de La Sierra, Manaus, Brasília e Teresina para chegar à capital cearense.
Costa Pereira explicou que o acordo respeitará as rotas que já foram definidas por meio de acordos bilaterais. As rotas entre São Paulo e Buenos Aires, por exemplo, não serão alteradas. Mas uma empresa poderá criar uma rota direta entre Fortaleza e Buenos Aires, que não existe hoje. Se existisse, Cariaga teria levado apenas três horas entre La Paz e Fortaleza.
A expectativa é de que as passagens aéreas ficarão mais baratas e haverá uma economia generalizada em cadeia nos setores que forem beneficiados com as novas rotas. Uma empresa de Campo Grande (MS) que quiser vender para os clientes de Assunção (Paraguai) terá um ganho substancial ao embarcar sua mercadoria num vôo direto entre as duas cidades. Hoje, esta carga tem que ser despachada via São Paulo ou Rio de Janeiro.
O Nordeste deverá ser uma das regiões brasileiras mais beneficiadas porque as novas rotas vão incrementar o turismo. O major-brigadeiro Renato Costa Pereira acrescentou que outra diferença em relação aos acordos bilaterais existentes hoje é que as rotas do acordo serão estabelecidas por um conselho de autoridades que representará cerca de 70 cidades, nos seis países, que têm aeroportos adequados.
Banco Os países do Mercosul, além da Bolívia, decidiram transformar o atual FonPlata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata) em um banco de desenvolvimento, similar ao BNDES ou Eximbanks dos Estados Unidos e do Japão.
A decisão faz parte da Declaração sobre Mecanismos Financeiros de Integração Regional, assinado ontem pelos ministros de Economia dos cinco países. O documento diz que o atual processo de integração do Mercosul exige mecanismos financeiros mais ágeis e eficientes para apoiar o desenvolvimento econômico e social da região. A nova instituição, segundo o ministro Antônio Kandir, terá estrutura de banco autônomo e aberto à participação de países fora do Mercosul e de organismos multilaterais de crédito.


