A intenção do Uruguai de negociar um acordo bilateral de livre comércio com os Estados Unidos, a posição ambígua da Argentina em relação ao futuro do Mercosul e a pressão dos americanos de forçar para 2003 o final das negociações sobre a Área de Libre Comércio de las Américas (ALCA) parecem debilitar a posição brasileira no bloco sul-americano.
Embora nem sequer tenham sido abordadas datas e modalidades das negociações, nas jornadas preparatórias da 8ª reunião do Comitê de Negociação da ALCA, previstas para amanhã e sábado, a unidade do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) está começando a ruir.
O chanceler uruguaio, Didier Opperti, anunciou nesta quarta-feira a intenção de seu Governo de pedir autorização aos parceiros do Mercosul para iniciar negociações com os Estados Unidos de um acordo bilateral de livre comércio. A questão é proibida pelo estatuto do bloco comercial sul-americano e resultou, em novembro de 2000, a suspensão do processo de adesão do Chile ao Mercado Comum sul-americano, depois do anúncio de Santiago de iniciar uma negociação com Washington.
A ambígua posição da Argentina em relação à ALCA e a do ministro da Economia desse país, Domingo Cavallo, em relação ao futuro do bloco comercial sul-americano – ao qual quer converter num simples espaço de livre comércio – tampouco contribui para reforçar a unidade que o Brasil ansiava para negociar, em posição de força, a ALCA para 2005, tal como o previsto na reunião de cúpula de Miami (1994).
Em seu livro ‘‘Pasión por crear’’, apresentado dia 30 de março, Cavallo se inclina para que o Mercosul seja uma zona de livre comércio em vez da atual união aduaneira. No entanto, quando Cavallo foi ministro da Economia (1991-1996) do governo peronista de Carlos Menem (1989-1999) era a favor do Mercado Comum do Sul e até firmou os acordos de Ouro Preto que o transformaram em União Aduaneira.
A posição argentina em relação à ALCA também é ambígua. Dia 13 de março, o chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini anunciou que a Argentina adotaria uma posição junto com o Brasil nas negociações para a criação da ALCA. ‘‘Do Mercosul vamos para a ALCA e do Mercosul vamos à União Européia’’. Mas pouco depois, dia 29 de março, o presidente argentino Fernando de la Rúa e seu antecessor Carlos Menem (1989-99) coincidiram em opinar sobre a necessidade de ‘‘apressar’’ a criação da ALCA, destacou o ex-mandatário.
A Venezuela apóia a posição do Brasil de reforçar o Mercosul e concluir as negociações em 2005, enquanto que Chile e Canadá são partidários – assim como os Estados Unidos – de adiantá-las para 2003. O responsável pela equipe negociadora do Brasil, José Alfredo Graça Lima, assegurou na véspera que os quatro países do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – falam em uníssono nestas negociações.

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