Curitiba - O acordo salarial fechado pelos metalúrgicos da Renault de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) deve influenciar as próximas negociações salariais no setor e até em outras áreas. Os trabalhadores da montadora vão receber entre 2011 e 2013, até 20,19% de aumento real, R$ 61,5 mil de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e abono, além de reajuste da tabela de salários.
''É importante ter uma grande empresa com um acordo salarial de três anos'', disse o economista do Dieese, Sandro Silva. Para ele, isso significa que a companhia acredita na continuidade do crescimento da economia brasileira. ''Com certeza, isso vai repercutir em outras negociações de forma geral'', afirmou. Segundo ele, a medida reforça que, por mais que o País tenha impacto da crise americana, o crescimento deve continuar.
Silva lembrou ainda que há uma perspectiva de queda da inflação e previsão de fechar o ano em 6%. Ele comentou ainda que o setor de montadoras vem avançando nas negociações salariais nos últimos anos. ''Isso sinaliza a confiança desse segmento na continuidade do crescimento da economia brasileira'', destacou.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, classificou o acordo como histórico e capaz de criar uma relação confiável entre trabalhadores e empresa. ''Geralmente a PLR, o abono e o reajuste salarial são assuntos difíceis de negociar. Para os trabalhadores, o acordo foi bom e para a empresa também será positivo até para que se planejar para ganhar mais mercado'', disse.
Já Roberto Karam, que faz parte do conselho de ex-presidentes do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal), opinou que os números do acordo da Renault estão muito ''dilatados'' e o prazo de três anos foi muito longo. ''Não sabemos como isso vai repercutir em outras empresas menores. Acho muito temerário um acordo desses e a repercussão para outras empresas extremamente perigosa'', disse.
Ele reforçou que o acordo da Renault servirá de base para outras negociações. ''Os trabalhadores não vão aceitar nada abaixo disso. Os aumentos virão após brigas e greves'', previu. Karam destacou ainda que o acordo foi fechado em um momento que o mundo inteiro está com receio dos efeitos da crise americana.
''O acordo é excepcional e não faz parte da realidade de todas as indústrias do Paraná'', disse o coordenador do conselho temático de relações do trabalho da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Marcelo Ivan Melek. Segundo ele, a média de aumento real dos reajustes das indústrias variou entre 1,3% a 1,5% no período de janeiro a agosto. Ele acredita que o acordo da montadora francesa tenha repercussão direta na área metalúrgica e em toda a cadeia produtiva e pode trazer consequências para outros setores também. ''É um balizador para negociações futuras, um elemento de pressão.''

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