'Acordo da CEF com Justiça poderia beneficiar mutuário'
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de março de 1999
Pedro Livoratti 
O problema de milhares de mutuários brasileiros que questionam na Justiça os valores de suas prestações e do saldo devedor poderia ser sanado a partir de determinação da Justiça Federal. Seria preciso que o agente financeiro oficial fosse autorizado a transferir ao mutuário o imóvel financiado - e que está sendo questionado judicialmente - pelo seu valor de mercado. A possibilidade foi levantada pelo presidente da Caixa Econômica Federal, Emílio Carazzai, durante sua passagem por Londrina e região, neste final de semana.
Sabemos de algumas situações que se tornaram, com o passar do tempo, berrantes, admitiu o presidente da Caixa. Segundo ele, a lei impede que o agente financeiro tenha condições de solucionar o drama dos mutuários que muitas vezes estão devendo mais que o dobro do valor real de seu imóvel.
Carazzai cumpriu extensa agenda na região Norte do Estado que incluiu inauguração, reuniões com prefeitos e entidades de classe e até uma homenagem na Câmara de Vereadores de Cornélio Procópio, sua cidade natal, onde recebeu, na sexta-feira, a Comenda Ouro Verde.
O presidente da Caixa estima que seria necessário o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto do País para dar fim ao déficit habitacional, de cerca de 10 milhões de unidades. Para este ano o governo planeja investir R$ 4 bilhões no setor, o que significa a construção de 250 mil unidades - cerca de 50% do que foi feito no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique.
Nesta entrevista exclusiva à Folha, o presidente da Caixa aproveitou para dar dicas para candidatos a mutuários. São recomendações que podem evitar problemas para os interessados em adquirir um imóvel financiado. Informações importantes também na medida que podem evitar que o agente aumente ainda mais a lista de proprietários de casas e apartamentos financiados e que agora questionam seus contratos na Justiça.


