Acordo com UE é melhor que Alca, diz Bird
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segunda-feira, 12 de abril de 2004
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - Um acordo de livre comércio pleno com a Europa geraria quase duas vezes mais ganhos econômicos ao Brasil do que a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Essa é a conclusão de um amplo estudo feito pelo Banco Mundial (Bird) sobre a política comercial brasileira. Para que a tese do Bird seja válida, porém, os economistas alertam que tanto os europeus como os americanos teriam de abrir de fato seus mercados aos produtos brasileiros.
Caso os acordos da Alca ou entre o Mercosul e a União Européia (UE) mantenham barreiras nos setores agrícolas mais sensíveis para as economias dos Estados Unidos e da Europa, o Banco Mundial estima que a Alca seria mais vantajosa para o País. Em qualquer um dos cenários, a parcela mais desfavorecida da população brasileira teria ganhos reais com os acordos.
O Banco Mundial avaliou oito possíveis cenários de acordos que o Brasil poderá estar concluindo neste ano. Na melhor das hipóteses, uma franca liberalização na Europa para produtos brasileiros Um dos efeitos ainda seria um aumento de 3,8% no consumo da população mais pobre e um aumento de 4,2% nos salários de trabalhadores sem qualificação.
Com um aumento de 72% nas exportações agrícolas, o preço da terra também sentiria um impacto e um aumento de até 25%. O setor mais lucrativo para o Brasil seria o açucareiro, que teria suas exportações aumentadas em 255%. Já no setor de manufaturados, o Brasil experimentaria uma queda nas exportações de 21%.
Mas em um cenário mais realista, o Bird estima que os europeus manteriam suas barreiras sobre setores como o de leite, arroz, cereais, carne bovina e açúcar. Nesse caso, os ganhos do Brasil em um acordo com a UE desmoronariam para apenas US$ 500 milhões. Para a média da população, o acordo geraria um aumento no poder de consumo de apenas 0,1%.
Nesse caso, os ganhos com uma Alca, ainda que o bloco hemisfério seja imperfeito, seriam maiores para a economia brasileira do que com uma Europa protecionista. O Banco Mundial estima que se os Estados Unidos não retirassem os impostos sobre açúcar, cereais, soja e leite, os lucros do Brasil na Alca seriam de US$ 2,3 bilhões.


