O crescimento da economia brasileira deverá ficar entre 2,2% e 2,7% neste ano devido ao ambiente externo adverso e à crise de energia elétrica. A informação consta no Memorando de Política Econômica do novo acordo brasileiro com o FMI (Fundo Monetário Internacional), divulgado ontem pelo Ministério da Fazenda. O novo programa disponibiliza para o Brasil US$ 15 bilhões até o final do ano que vem.
''Prevê-se para 2002 uma aceleração do crescimento, para cerca de 3,5%'', diz documento. O documento mostra também que o saldo da balança comercial em dólares poderá registrar um pequeno déficit em 2001, semelhante ao de 2000. ''Os termos de troca deverão melhorar ligeiramente, refletindo a queda dos preços das importações'', diz o documento. Entretanto, o memorando foi escrito antes dos ataques terroristas que culminaram anteontem na queda das torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e na queda de um avião sobre o Pentágono.
O documento do acordo brasileiro com o FMI informa ainda que o déficit em transações correntes (englobam o resultado da balança comercial, da balança de serviços e das transferências unilaterais) provavelmente aumentará de US$ 24,6 bilhões em 2000 para cerca de US$ 26 bilhões neste ano. ''O investimento estrangeiro direto deverá cobrir mais de 80% do déficit em conta corrente, apesar da redução esperada em consequência do arrefecimento da economia mundial e dos choques internos'', diz o memorando.
Para 2002, segundo o memorando do novo acordo com o FMI, o déficit em transações correntes brasileiro deverá ficar em US$ 24,5 bilhões, devido principalmente à melhoria da balança comercial e à medida que os efeitos da desvalorização recente do real se cristalizarem.
''As exportações crescerão cerca de 10% em volume, ou seja, aproximadamente ao mesmo ritmo que em 2001. Já as importações crescerão menos de 7%, bem mais lentamente que em 2001, refletindo a desvalorização do real'', diz o documento.
De acordo com o memorando, os investimentos estrangeiros diretos não serão suficientes para cobrir o déficit em transações correntes no ano que vem, a exemplo do que acontecerá em 2001.
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''O investimento direto estrangeiro apresentará uma pequena diminuição, porém sem se afastar significativamente da tendência de longo prazo, e deverá cobrir cerca de 70% do déficit em conta corrente'', informa o documento.
Balanço de pagamentos O saldo do balanço de pagamentos brasileiro, que registra todas as operações do País com o exterior, deverá registrar déficit de US$ 1,8 bilhão neste ano. Esse saldo será coberto pela redução das reservas internacionais líquidas.
''Apesar disso (queda das reservas), projeta-se que as reservas internacionais líquidas chegarão a quase US$ 28 bilhões, nível superior ao piso de US$ 20 bilhões proposto para o novo SBA acordo'' no Memorando Técnico de Entendimento'', diz o documento.
Para o ano que vem, o balanço de pagamentos brasileiro apresentará um déficit de US$ 1,4 bilhão em 2002, o que resultará em uma redução das reservas internacionais líquidas para cerca de US$ 27 bilhões.
O documento prevê ainda que a dívida líquida do setor público consolidado, um dos referenciais utilizados pelos analistas para verificar a solvência do país, deverá fechar o ano que vem abaixo de 54% do PIB (Produto Interno Bruto). Para este ano, projeta-se que a dívida feche o ano em 54% do PIB.

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