Acordo com FMI pode trazer normalidade
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domingo, 05 de agosto de 2001
Maria Cristina Frias<BR>Agência Folha 
O anúncio do novo acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI) deve fazer o mercado de capitais reabrir hoje mais tranquilo, segundo analistas. As bolsas terão menos motivos para temer ataques especulativos.
A expectativa é que, com recursos extras disponíveis, o governo consiga reduzir a instabilidade do câmbio, e que os investidores estrangeiros diferenciem mais o Brasil da Argentina.
O empréstimo de US$ 15 bilhões deve dar uma boa melhorada no humor dos investidores, afirma o diretor do Lloyds TSB Pedro Thomazoni.
Ele ressalvou que ainda é preciso saber qual o custo do acordo firmado e, principalmente, qual será a exigência do Fundo para o superávit primário (receitas menos despesas, sem contabilizar os gastos com os juros).
Se a nova meta pedida for de 3,5%, que é factível de ser alcançada, o acordo será muito bom, diz Thomazoni.
Para ele, sem a pressão do Tesouro, fica mais fácil captar financiamentos externos. Além disso, abre-se espaço para os investidores rolarem suas dívidas.
Se gerar alta dos títulos da dívida externa, a blindagem financeira pode melhorar o mercado como um todo. A Bolsa pode ser beneficiada e esse impacto mais positivo pode até durar uma semana, afirma o diretor do Lloyds.
Para Jacopo Valentino, diretor de renda variável do BNP Paribas, a reação ao acordo com o FMI pode não ser tão forte porque boa parte da expectativa com o acerto já havia sido embutida no preço das ações.
As expectativas com relação à Argentina, entretanto, permanecem sombrias. O anúncio do adiantamento para este mês da parcela de US$ 1,2 bilhão de um empréstimo já firmado entre o FMI e o país vizinho não deve animar o mercado.
Essa liberação do dinheiro já prometido deixa a Argentina na mesma situação, segundo Thomazoni. Ele afirma não acreditar em uma piora da situação no vizinho pela diferença entre os montantes liberados.
A Bolsa argentina não cai mais porque já está no fundo do poço. Para piorar, só se o país declarar a moratória, diz Thomazoni.
O fluxo de notícias negativas tende a estancar, proporcionando um período de trégua. Com isso, o Dow Jones (índice da Bolsa de Nova York) e a Nasdaq (Bolsa eletrônica norte-americana que reúne empresas de alta tecnologia) voltam a ganhar importância para o mercado brasileiro, afirma Valentino, do BNP Paribas.
Dados sobre a produção industrial e a inflação norte-americanas, que saem na terça e na sexta-feira, costumam chamar a atenção dos investidores.
Os índices de preços, entretanto, não devem preocupar. A inflação está relativamente sob controle nos Estados Unidos.
Se nos próximos dias a Argentina parar de emitir sinais negativos, e as Bolsas norte-americanas continuarem apresentando apenas pequenas oscilações, não vejo motivo para a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) não sustentar uma reação, diz Valentino.
Analistas advertem, entretanto, que a volatilidade poderá voltar a crescer, caso a Argentina não encontre uma solução concreta para sua crise.
Os especialistas consultados pela reportagem continuam indicando investimentos em Bolsa para quem pode deixar o dinheiro aplicado por cerca de quinze meses.
Até lá, as eleições terão passado, as economias do Brasil e dos Estados Unidos já devem ter melhorado, e a Argentina terá resolvido sua crise, para o bem ou para o mal, afirma o diretor do Lloyds.
Analistas sugerem ações de telecomunicações, que vêm sofrendo muito com o desânimo no setor. Além disso, por terem liquidez, são as primeiras a ser vendidas.


