A carta de intenções do Brasil ao FMI (Fundo Monetário Internacional) estará pronta, na melhor das hipóteses, apenas na segunda-feira. A passagem ontem por Washington do presidente do Banco Central, Gustavo Franco, não foi suficiente para desfazer os nós - de conteúdo desconhecido - que ainda impedem a conclusão das negociações.
O próprio Fundo tomou a iniciativa de desmentir os rumores de que um acordo era iminente. Por volta do meio-dia, antes mesmo que Franco iniciasse seus contatos, foi divulgada a informação de que as conversas prosseguiriam até provavelmente o começo da próxima semana.
O presidente do BC não chegou a se avistar com Michel Camdessus, diretor-gerente do FMI, que estava ontem fora de Washington - cumpria agenda na Filadélfia -, nem com seu adjunto, Stanley Fisher, em viagem pela Ásia.
Franco deve embarcar hoje para a Basiléia, na Suíça, onde participa da assembléia do BIS (Bank for International Settlements, ou Banco para Compensações Internacionais), o BC dos bancos centrais. Amaury Bier, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, que chefia as negociações brasileiras, adiou para possivelmente segunda-feira sua volta ao Brasil. Se a carta de intenções tivesse saído, embarcaria ontem.
O FMI está disposto a liberar, em duas linhas de crédito, um total de US$ 18 bilhões. Será a parcela minoritária de um pacote que tende a superar os US$ 40 bilhões. O papel do Fundo é também o de auditar as contas.
A carta de intenções é o instrumento que permite levantar os demais empréstimos no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com US$ 4,5 bilhões, no Bird (Banco Mundial), com quantia idêntica, no Tesouro dos EUA e demais países do G-7, o grupo dos mais industrializados, entre os quais o Japão já se comprometeu a fornecer US$ 1 bilhão.
No Banco Mundial, a Agência Folha apurou que os programados US$ 4,5 bilhões serão em parte destinados a financiar programas do governo brasileiro que ‘‘tenham uma dimensão social . Ao contrário do FMI, que empresta para que um país possa fechar suas contas, o Bird tem como prática o financiamento de projetos específicos.
Ainda no Bird, técnicos disseram ontem não acreditar que a carta de intenções com o Fundo não tenha sido fechada em razão da impossibilidade de o Brasil definir, com clareza, o volume de recursos de que precisará. Junto a outra instituição baseada em Washington, o BID, a Agência Folha apurou que as linhas de crédito para o Brasil, ali originadas, terão juros de 4% acima da Libor, taxa de referência do mercado londrino.

mockup