Washington - O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou ontem que as negociações entre o governo brasileiro e a instituição tiveram ''um bom começo'', estão sendo tocadas ''intensamente'' e com ''alguma urgência, dado o nervosismo do mercado''. O porta-voz do Fundo, Thomas Dawson, acrescentou que as negociações envolvem uma prorrogação do atual acordo até o ano que vem, com um possível aumento de recursos, mas ressalvou que ''é muito cedo para falar sobre a natureza exata'' do arranjo que está sendo discutido.
Ele deixou claro, no entanto, que qualquer que seja seu formato final, o acordo ''requererá um entendimento'' dos candidatos da oposição ao Planalto de que eles manterão as políticas básicas que forem acertadas. Ciente da sensibilidade do tema, Dawson esforçou-se para deixar vaga a terminologia a ser usada, nesse particular. Ele disse que a palavra ''compromisso'', atribuída pela imprensa brasileira à vice-diretora-gerente, Anne Krueger, não traduz exatamente o que ela disse em São Paulo, na sexta-feira, quando se pronunciou sobre o tipo de disposição que os candidatos teriam de ter em relação a um novo acordo entre o Brasil e o FMI.
De acordo com o porta-voz, Krueger falou em ''entendimento'' para dizer que é necessário que haja uma compreensão não apenas do governo, mas dos demais atores políticos, sobre a continuidade das políticas que lastrearão o acordo.
Dawson fez uma descrição esclarecedora sobre o processo de negociação, visto da perspectiva do FMI. ''À medida que avançamos, vemos o que um novo programa potencial incluiria'', disse. ''Veríamos, então, que tipo de apoio político (ele teria).'' O conceito, explicou o porta-voz, é de que o país, e não o Fundo, é o dono do programa.
''A propriedade não significa que o programa pertence apenas ao governo. Ele precisa ter proprietários também dentro do processo político. Fundamentalmente, esse tipo de entendimento é algo sobre o qual as autoridades brasileiras e o sistema político terão de se entender. Não é algo que o FMI vai especificar, mas é natural que qualquer programa apoiado pelo Fundo precise ter apoio político suficiente, em qualquer país, para ter uma chance razoável de sucesso'', explicou. ''Não se trata de uma preocupação incomum. Obviamente, ela ganha uma grande dose de atenção por causa da importância do Brasil, da proximidade das eleições e do nervosismo dos mercados'', disse Dawson.
As declarações do porta-voz indicaram que as discussões contemplam uma extensão do programa em vigor por 12 a 15 meses, dependendo da data em que for concluído e aprovado pelo ''board''(diretoria executiva) do Fundo. O atual acordo entre o Brasil e o FMI, que contém ainda um saldo de US$ 1 bilhão de recursos não utilizados, vence em dezembro. ''Estamos discutindo políticas para o restante de 2002 e para 2003'', informou Dawson.

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