Acordo com FMI deve aumentar o aperto fiscal
O governo pode elevar de 3% para 4% do Produto Interno Bruto (PIB) o esforço fiscal no próximo ano, no novo acordo que começou a ser negociado nesta semana com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington. Mas, em contrapartida ao aperto fiscal adicional, quer ter maior flexibilidade na definição do limite de endividamento do País, expresso por meio da relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). A dívida líquida acumulada pela União, Estados, municípios e estatais, hoje ao redor dos 53% do PIB, é o indicador da capacidade dos governos pagarem os seus credores e define o tamanho do ajuste nas contas públicas.
Ontem, o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares, afirmou que o esforço fiscal em 2002 terá de ser maior do que o previsto para este ano, esperado em torno de 3,5% do PIB. De acordo com uma qualificada fonte da área econômica, o governo reconhece a necessidade de um ajuste adicional.
Na avaliação da equipe econômica, entretanto, o aumento da relação entre a dívida e o PIB é um fenômeno conjuntural causado pela alta do dólar e dos juros. No acordo feito em 1998, o governo havia se comprometido em estabilizar a dívida em 46,5% do PIB a partir do fim desse ano. Esse nível foi revisado para 49% e em maio, último dado oficial disponível, estava em 51,9% do PIB. Um salto significativo está sendo esperado pelo mercado para junho, quando o estoque saltará para cerca de 52,3% do PIB, por causa da incorporação do passivo dos bancos federais e da alta do dólar e juros, segundo cálculos da Tendências Consultoria. Mas o impacto maior acontecerá em julho, devendo alcançar a casa dos 53,5% do PIB.





