A divulgação do acordo com o FMI acalmou o mercado brasileiro ontem. Num dia tranquilo e com poucos negócios, o dólar cedeu 1,99%, a Bolsa subiu e os preços pagos pelos títulos da dívida brasileira melhoraram. O volume de negócios na Bovespa continuou, como nos últimos dias, pequeno. Foram movimentados na Bolsa paulista R$ 342 milhões, pouco mais do que os R$ 337 milhões movimentados na sexta-feira passada.
O índice Ibovespa fechou em alta de 1,5% e ficou em 14.046 pontos. Desde 23/07, quando o Ibovespa atingiu 14.067 pontos, o índice não ultrapassava a barreira dos 14.000 pontos. O dólar cedeu 1,99% e fechou em R$ 2,455. Como na Bolsa, não houve muitos negócios e o dia foi calmo no mercado de câmbio. ‘‘A notícia de que contaríamos com recursos do FMI acalmou o mercado, mas não houve nenhuma grande movimentação’’, disse João Medeiros, da Pioneer.
Para Medeiros, a notícia do acordo pegou o mercado de surpresa. Na sexta-feira, diz, o que se esperava para ontem era uma tempestade. ‘‘Achávamos que o cenário continuaria ruim. A velocidade com que saiu o acordo surpreendeu o mercado.’’ Como de praxe, o BC (Banco Central) vendeu dólares, num volume estimado pelos operadores em US$ 50 milhões.
Os C-Bonds, títulos mais negociados da dívida brasileira, subiram 1,93%. Ou seja, investidores aceitaram receber juros menores pelos títulos da dívida brasileira. O risco-país, diferença entre os juros pagos pelos o EUA e os juros pagos pelo Brasil, caiu 2,73%.
Para Eduardo Freitas, economista-chefe do Unibanco, é natural que os negócios sigam calmos e que investidores e operadores não façam apostas nos próximos dias. O motivo: um agravamento da crise na Argentina ainda pode afetar o Brasil.
‘‘Agora que saiu o pacote com o FMI’’ fica claro que temos recursos para garantir o equilíbrio do balanço de pagamentos e, com isso, a situação fica mais tranquila. Mas como avalia-se que a ruptura na Argentina está próxima, ninguém quer fazer apostas’’, diz. Freitas diz que, caso ocorra uma ruptura no país vizinho – uma moratória ou a desvalorização, por exemplo – o Brasil deve sofrer algum impacto, ainda que apenas no curto prazo.
Por isso, os mercados financeiros mantiveram-se ontem em compasso de espera em relação à Argentina, aguardando ainda uma possível ajuda financeira ao país nesta semana, após reiteradas declarações internacionais de apoio ao plano de ajuste fiscal.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou na sexta-feira o adiantamento para a Argentina, em um mês, do desembolso de US$ 1,25 bilhão previsto pelo pacote de blindagem financeira, do ano passado, valor muito inferior ao que membros do próprio governo argentino haviam anunciado como necessário para que a Argentina recupere a confiança dos investidores estrangeiros.
O vice-ministro da Economia, Daniel Marx, afirmou ontem que o governo ainda conta com a aprovação de uma ajuda extraordinária do Fundo, que serviria para recompor as reservas internacionais, corroídas, principalmente, pela maciça fuga de depósitos do sistema financeiro. Segundo as contas do governo argentino, seriam necessários pelo menos US$ 6 bilhões para eliminar entre os investidores o temor de um colapso do sistema financeiro que resultasse numa desvalorização do peso.

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