Arquivo FolhaNa JustiçaPedro Paulo de Souza, controlador da Encol, deve tomar providências para evitar quebra do seu sigilo de contas e telefone, como fez o ex-diretor Alexej PredtechenskyA Promotoria de Defesa do Consumidor do Distrito Federal (Prodecon) começa no dia 22 uma negociação com os bancos credores da Encol para liberar apartamentos que foram quitados pelos mutuários mas, de forma irregular, também foram dados em garantia a outros empréstimos tomados pela empresa. A negociação começa por Brasília - onde será discutida a situação dos moradores de cinco prédios da Encol - mas a idéia da Promotoria é liberar apartamentos hipotecados de compradores em Estados de todo o País.
A informação é do promotor Márcio Mafra, que explicou ontem que a mudança de endereço da Encol, de Brasília para Goiânia, não afeta o trabalho do Prodecon, que ‘‘tem competência nacional’’. Dentre as 42 mil famílias prejudicadas com as irregularidades praticadas pela empresa, muitas delas não conseguem obter a escritura do imóvel que, sem o conhecimento do mutuário, foi hipotecado pela construtora Encol. Outro promotor diz que há casos em que o imóvel está preso como garantia a um pequeno valor.
A negociação, no entanto, terá necessariamente de envolver ainda os mutuários e a própria Encol. Isso porque, nos casos de valores mais altos, a empresa teria de fazer uma substituição de garantias. Embora difícil, os promotores acreditam que a negociação para liberar os compradores e os seus apartamentos é viável.
Ainda ontem os promotores ouviram o ex-superintendente da Encol em Brasília, Alexej Predtechensky, que junto com Marcus Vinícius Viana, também ex-funcionário da empresa, tinha uma concessionária BMW e restaurantes de luxo em Brasília. Os dois constavam da lista de 18 pessoas, dentre elas o controlador da Encol, Pedro Paulo de Souza, que poderiam ter os sigilos bancário e telefônicos quebrados.
Depois de garantir que ‘‘a quebra de todos os sigilos’’ estavam à disposição do Ministério Público, Predtechensky conseguiu liminar para suspender a quebra do sigilo de suas contas e também de seus telefones. O atual acionista majoritário da empresa, Pedro Paulo de Souza, e outros ex-diretores devem tomar a mesma providência para dificultar a quebra de seus sigilos, segundo apurou a Agência Folha.
Segundo Mafra, no total, são 16 mil páginas com os dados de todos os envolvidos. Até agora, no entanto, o promotor afirma - mas não explica - por quê o Prodecon ainda não teve acesso às listas. Sobre o depoimento do ex-superintendente, o promotor disse que ‘‘ele não acrescentou nada’’. Predtechensky afirmou que saiu da empresa em 95, não tendo qualquer conhecimento de irregularidades.

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