Acordo com Argentina aumenta déficit
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segunda-feira, 10 de março de 1997
Agência Estado, de São Paulo 
O Brasil vai registrar um déficit adicional de cerca de US$ 900 milhões em sua balança comercial do setor automotivo nos próximos três anos, por conta de uma exigência da Argentina de exportar ao País 85 mil veículos. As unidades deixaram de ser enviadas entre 1991 e 1994, quando vigorava o acordo denominado, a princípio, de Protocolo 21, e que deu origem às negociações para o Mercosul.
A reivindicação da Argentina, que na época não tinha capacidade produtiva, se arrasta há mais de dois anos e foi intensificada nas últimas semanas em represália à decisão do governo brasileiro de dar incentivos às indústrias que se instalarem no Nordeste, o que estaria provocando fuga de investimentos daquele país. A questão Nordeste foi um argumento a mais para esta exigência, confirma o diretor-adjunto de Relações Governamentais da General Motors, Luiz Moan.
As indústrias brasileiras já cederam à reivindicação, mas acreditam que parte do déficit comercial será compensada com a exportação de autopeças. Elizabeth de Carvalhaes, responsável pela área de Assuntos Governamentais da Volkswagen, afirma que 35% das linhas de montagem das empresas argentinas são alimentadas com componentes fabricados no Brasil.
Segundo Carvalhaes, para reduzir o impacto na balança do setor, a importação dos 85 mil veículos será diluída até 1999. Neste ano, por exemplo, pelo menos 28 mil veículos serão somados aos mais de 115 mil previstos para entrar no País via Argentina, sem alíquota de importação.
No prazo de um mês, as duas partes deverão definir quantos carros cada uma das seis montadoras, que participavam do acordo automotivo naquele período, deverão importar, de acordo com a participação nas vendas no mercado nacional.
Na época do acordo, que previa volume igual de importação e exportação, o Brasil enviou para a Argentina 128 mil veículos, mas só recebeu 43 mil. É esta diferença que está sendo negociada agora, embora o regime atual não estabeleça paridade.
Carvalhaes lembra que no ano passado os negócios entre os dois países totalizaram US$ 3 bilhões, sendo que a Argentina registrou superávit de US$ 1,2 bilhão. Ela participou hoje do seminário A Indústria Automobilística no Mercosul, que reuniu mais de 300 representantes de todas as montadoras nacionais, fabricantes de autopeças e revendedores de veículos.


