'Acordo bilateral' pode substituir Alca
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domingo, 15 de setembro de 2002
Agência Estado 
Brasília Somente se o Brasil e os Estados Unidos afinarem suas posições, as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) terão alguma chance de prosseguir. A avaliação vem sendo repetida pelos diplomatas envolvidos nesta discussão, que acabou mergulhada em um ambiente nebuloso. Setores do Itamaraty chegam a defender que, ao co-presidirem a etapa final da Alca, a partir de novembro, os dois países terão de ir além dos acertos no plano burocrático e resolver seus próprios impasses no comércio bilateral.
Até o momento, nenhum dos negociadores brasileiros tem idéia de como se dará, na prática, a co-presidência Brasil-Estados Unidos. Conversas preliminares têm ocorrido entre o subsecretário-geral de Assuntos de Integração, Econômicos e Comércio Exterior do Itamaraty, Clodoaldo Hugueney, e o vice-representante americano para o Comércio (USTR), Peter Allgeier. Mas fontes do governo afirmam que as eleições no Brasil presidenciais, em outubro e nos Estados Unidos parlamentares, em novembro trazem tantas incertezas sobre as posições dos dois países sobre a Alca, que os dois lados ainda não começaram a discutir os temas mais espinhosos.
No mês passado, Richard Fischer, vice-representante americano para o Comércio durante a presidência de Bill Clinton, chegou a insinuar, durante seminário em São Paulo, que os Estados Unidos deveriam abandonar a Alca e negociar diretamente com o livre comércio com o Brasil. A opinião desse antigo número 2 do USTR de que será improvável a realização da Alca coincide com a de setores do governo brasileiro. Mas suas declarações em favor de um acordo entre os dois países soaram estranhas para os principais negociadores brasileiros. Essa preocupação foi reforçada por artigos, publicados na imprensa americana, que defendiam teses semelhantes.
No início deste mês, a embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, negou que haja interesse de Washington, ''neste momento'', em um acordo bilateral. Mas, dentro do Itamaraty aumentou a suspeita de que, inevitavelmente, a co-presidência da Alca se tornará o palco de um acerto comercial entre os dois países.


