Acordo bilateral ameaça Mercosul
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quarta-feira, 09 de maio de 2001
Ariel Palacios Agência Estado De Buenos Aires 
Não existem proibições jurídicas que impeçam a Argentina de realizar um acordo bilateral com os Estados Unidos. A afirmação foi feita pelo presidente da Comissão do Mercosul da Câmara de Deputados, Alfredo Neme Scheij, que explicou que apesar da falta de proibições, não existem possibilidades políticas de que isso possa ocorrer.
Segundo Scheij, as recentes propostas do ministro da Economia, Domingo Cavallo, de começar negociações bilaterais com os EUA, estão fora do marco expresso pelo governo, e pelo que foi combinado pelos presidentes dos Brasil e da Argentina na cúpula de Quebec, há poucas semanas.
Além disso, o deputado sustentou que um acordo com o governo americano não teria possibilidades de concretizar-se porque teria que passar pelo Parlamento argentino.
O parlamentar argentino afirmou que um acordo desse gênero com os EUA dinamitaria o Mercosul, atingindo 30% das exportações da Argentina enviadas ao Brasil. O setor pró-Mercosul do Parlamento argentino está se mobilizando para que sejam debatidos projetos que aprofundem o bloco comercial do Cone Sul.
O ex-embaixador em Londres Carlos Ortiz de Rosas afirmou que os regulamentos do Mercosul proíbem a realização de acordos bilaterais, mas somente a partir de junho deste ano. Segundo Rosas, é por esse motivo que o Uruguai está se apressando para negociar com o governo dos Estados Unidos de forma a não quebrar o regulamento do Mercosul.
Coincidindo com o debate em Buenos Aires sobre a conveniência de realizar um acordo bilateral entre este país e os Estados Unidos, o governo de Washington anunciou que passava a aplicar medidas anti-dumping contra as importações de mel provenientes da Argentina.
Estas medidas causarão um aumento de 60% nos preços desse produto argentino no mercado americano. A decisão, tomada pela Secretaria de Comércio dos EUA, entrará em vigência daqui a poucos dias.
A Argentina é o maior exportador de mel do mundo, e é o principal concorrente da China (o maior produtor) e envia para os EUA 50% de suas vendas ao exterior, em um total de US$ 50 milhões anuais. Na última década, a produção argentina passou de 45 mil toneladas anuais para 90 mil toneladas.
O chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini, que há poucos dias criticou a possibilidade de negociações bilaterais individuais da Argentina com os EUA (como eram defendidas pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo), criticou as medidas anti-dumping americanas, afirmando que o comércio livre precisa ser comércio livre, sem um protecionismo sob outro nome.


