Curitiba - O acordo para evitar o calote nos Estados Unidos pode respingar de forma negativa no Brasil. A ideia lá é elevar o teto da dívida do país em US$ 2,4 trilhões e reduzir o deficit em US$ 1 trilhão para evitar o default - suspensão de pagamentos. Os maiores problemas que podem ser enfrentados pelos brasileiros, no médio prazo, são no setor do agronegócio com a oscilação dos preços das commodities.
''Era previsto que ia acontecer esse acordo até para justificar a emissão de dólar dos Estados Unidos para o mundo'', disse o economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher. Ele explicou que o aumento da emissão de moeda, leva o dólar a perder valor e os produtos americanos tornam-se competitivos no mundo.
Os problemas na economia americana podem ocasionar desaceleração na China e, com isso, os produtos paranaenses podem ser afetados, principalmente, as commodities como soja e derivados que teriam redução de preços. ''A princípio não deve ter modificação no preço das commodities'', disse. Zurcher lembrou que a China é o primeiro parceiro comercial do Paraná e, o principal mercado dos chineses são os Estados Unidos.
Ele destacou ainda que a valorização do real dificulta a competitividade dos produtos brasileiros com relação aos importados tanto na exportação como no mercado interno. Esse processo começou com o aumento da emissão de moeda dos Estados Unidos a partir da crise de 2008. ''A vantagem que os Estados Unidos têm é exportar a crise para o mundo'', brincou Zurcher.
O economista acredita que caso ocorra queda nos preços das commodities, a agroindústria do Paraná será afetada porque os produtos do Estado não serão competitivos. No entanto, ele prevê que o Brasil não sofra com o problema da economia americana no curto prazo, mas dentro de cerca de um ano e meio.
''A grande preocupação era se o governo americano não conseguisse pagar os compromissos. Isso afetaria as economias dos países que têm dependência de importação e exportação'', disse o gerente técnico-econômico da Ocepar, Flávio Turra.
Ele previu que, para o Brasil, o impacto seja nas exportações de sucos (especialmente de laranja), café, álcool, carnes, pescados, mel, frutas, trigo, milho e açúcar. ''Os Estados Unidos consumindo menos, importam menos'', disse. Hoje, os EUA são o segundo maior comprador de produtos do Brasil, depois da China.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em 2010, o Brasil exportou US$ 19,307 bilhões para os Estados Unidos e importou US$ 27,039 bilhões, o que significou um saldo negativo na balança comercial de US$ 7,731 bilhões.
Os produtos que o Brasil mais exporta são óleos brutos de petróleo (19,24%), café não torrado, não descafeinado e grãos (5,50%), pasta química de madeira (4,25%), ferro fundido bruto (3,20%) e granitos (2,38%). Os mais importados pelo Brasil são óleo diesel (6,64%), hulha betuminosa (3,44%), parte de turborreatores ou turbopropulsores (2,79%), turboreatores de empuxo (2,43%) e partes para aviões ou helicópteros (1,62%).
Já os principais destinos das exportações do Paraná no primeiro semestre deste ano foram a China (18,19%), Argentina (8,68%), Alemanha (6,35%). Os Estados Unidos (3,60%), estão na sexta posição, com um total exportado de US$ 296 milhões. As importações paranaenses ocorreram principalmente da China (15,86%), Nigéria (14,52%), Argentina (9,59%) e Estados Unidos (7,09%). Os americanos venderam US$ 609 milhões para o Paraná nos primeiros seis meses do ano.

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