Curitiba - A Associação dos Cotonicultores do Paraná (Acopar) promove reunião hoje em Maringá para propor estratégias de revitalização da cadeia produtiva de algodão no Estado. Junto com cooperativas e empresas, a Acopar quer também pressionar os deputados estaduais a aprovarem o Programa de Incentivo à Produção e Industrialização do Algodão no Paraná (Proalpar), em trâmite na Assembléia Legislativa. A intenção é aumentar a área plantada de algodão em 300% e abrir cerca de 50 mil postos de trabalho no campo, nos próximos seis anos.
O Proalpar prevê que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) arrecadado pelo Estado seja dividido entre os cofres públicos e a cadeia produtiva da cotonicultura. ‘‘Isso não é novo. Já é praticado nos Estados com boa produção de algodão, como Bahia, Goiás e Mato Grosso’’, relatou o presidente da Acopar, Almir Montecelli. ‘‘O governo diminui a arrecadação de ICMS em um primeiro momento, mas com aumento da área plantada de algodão voltará a arrecadar, até mais do que hoje’’, afirmou.
Pelo projeto, o governo estadual ficaria com 25% da arrecadação do ICMS sobre o algodão, cuja alíquota é de 17%. Outros 37,5% iriam para a indústria, 30% para os produtores e 7,5% para pesquisa. O Proalpar já foi aprovado pelos deputados estaduais, mas foi vetado pelo governador Jaime Lerner (PFL) e agora tramita novamente na Assembléia, que pode promulgar transformando-o em lei. ‘‘Todos os números são favoráveis. O Estado não vai perder nada’’, argumentou Montecelli.
Na safra paranaense de algodão de 1991/92, havia cerca de 80 mil produtores que plantaram 705 mil hectares. Hoje há apenas 2,5 mil agricultores, em uma área de 37 mil hectares. ‘‘Se a área aumentar para 150 mil hectares, vamos igualar a arrecadação que o Estado tem hoje, sem contar que seriam gerados 53 mil novos postos de trabalho e o dinheiro circularia no Estado’’, salientou.
De acordo com o assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, a revitalização da cadeia produtiva do algodão vai permitir suprir o consumo interno do Estado. ‘‘Apenas 20% do que o Estado consome é produzido aqui. Até por isso o impacto na redução de ICMS será bastante baixo’’, afirmou.
Segundo Turra, o Proalpar é uma cópia de um projeto do Mato Grosso, que teve explosão na área plantada de algodão. ‘‘Mas no Mato Grosso e Goiás a colheita é mecânica, e aqui no Paraná manual, o que confere uma qualidade maior ao produto’’, observou. Segundo ele, isso possibilitaria um preço melhor ao produtor paranaense, com a vantagem de que a safra de algodão no Paraná é colhida antes da safra do Centro-oeste, responsável por 64% da produção nacional.

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