Maringá O superintendente administrativo da Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná (Alcopar), José Adriano da Silva Dias, disse ontem que o aumento do preço do litro do álcool comercializado pelos produtores sofreu ''uma variação normal de mercado'' nos últimos meses. Segundo ele, a indústria precisou ajustar o preço em função de ser um período de fim de safra. Entretanto, o aumento do preço do álcool nas bombas dos postos de combustíveis não é culpa da indústria, comenta Dias. Ele alega que mesmo no período do auge da safra quando as usinas baixaram os valores para vender o produto, as distribuidoras e os postos de revenda de combustíveis não reduziram os seus preços.
''Tem gente ganhando com o aumento do preço do álcool mas não são os produtores'', afirma. Segundo ele, a ''variação no preço do litro do álcool comercializado pelas indústrias, de aproximadamente 10%, não corresponde à inflação do período''. Em dezembro do ano passado, a indústria estava comercializando o litro do álcool entre R$ 0,55 a R$ 0,57. Atualmente vende entre entre R$ 0,63 a R$ 0,65. No início de setembro, a usina ainda vendia o litro a R$ 0,55. ''O que houve foi uma acomodação de preço'', argumenta.
De acordo com Dias, se tem alguém que está ganhando com o aumento do preço do álcool nas bombas dos postos de combustíveis, não são os produtores. Ele diz que, mesmo quando os usineiros vendiam o litro a R$ 0,55 ou R$ 0,56, o revendedor não baixou o preço para o consumidor. ''A distribuidora e o dono do posto já estavam vendendo com uma margem de lucro e, de novo, aumentaram os preços'', disse.
Dias admitiu que não houve uma demanda de mercado excessiva e que o incremento da indústria automotiva de carros a álcool ainda não atingiu o mínimo necessário para repor o sucateamento anual da frota. Atualmente, o mercado vende entre 5 e 6 mil novos carros movidos a álcool por mês. ''O que dá uma média de 60 mil novos carros por ano. O nosso objetivo é que sejam produzidos 100 mil carros por ano apenas para suprir a frota sucateada no mesmo período.'' Mesmo sem aumento da demanda e com a produção anual também mantida em 11,3 bilhões de álcool combustível em todo País, dos quais 10% são produzidos no Paraná, a ''acomodação'' de preços nos últimos meses, conforme Dias, foi uma exigência do mercado.

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