O empresariado brasileiro está mais consciente sobre o seu papel na comunidade. Além de produzir, gerar empregos e pagar impostos cresce a preocupação com uma outra forma de atuação: o auxílio no desenvolvimento da sua vizinhança, geralmente, formada por famílias de baixa renda. Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério do Planejamento, indica que no Paraná as ações sociais comunitárias desenvolvidas por empresas privadas cresceram 14% entre 2000 e 2004, saltando de 49% para 63%.
O crescimento é maior do que a média nacional. No País, o aumento nesse campo foi de 10%, saindo de 59% em 2000 para 69% em 2004, com a atuação de cerca de 600 mil empresas. Apesar do aspecto positivo, o Paraná ocupa apenas a 10 posição no ranking. Em primeiro está Minas Gerais, onde 81% das empresas privadas participam de algum tipo de ação social; em seguida vem Santa Catarina com uma participação de 78% e Bahia com 76%. O levantamento foi feita com 10 mil empresas espalhadas em todo o País em um universo de 871 mil entre os anos de 2003 e 2004. Do total das empresas pesquisadas, 68% são micro-empresas com até 10 funcionários.
''Os resultados mostram que o tema 'ação social' está cada vez mais inserido na agenda de debates dos empresários e que está havendo um fortalecimento da parceria público-privado. A ação social está passando de um modismo para a permanência no dia-a-dia'', avalia Luana Pinheiro, coordenadora-adjunta da ''Pesquisa Ação Social das Empresas''. No entanto, apesar do aumento da participação empresarial, caiu o montante de recursos aplicados. Em 2000, as empresas investiram juntas, em valores corrigidos, cerca de R$ 6,9 bilhões nesse tipo de trabalho. Em 2004, os recursos foram reduzidos para R$ 4,7 bilhões, o que representa 0,27% do Produto Interno Bruto nacional.
''Os investimentos caíram porque o volume de recursos foi reduzido no Sudeste. Como a pesquisa foi feita em 2003, naquele ano a economia estava em retração'', explica Luana. No entanto, como aumentou o número de empresas que investem nesse tipo de ação, a avaliação é que esses recursos tenham sido pulverizados. A maior concentração de trabalhos sociais está no Nordeste do País, onde 74% das empresas privadas desenvolvem alguma ação. O Sudeste tem o segundo lugar com um índice de 71% e o Sul ocupa a terceira posição com 67%.
Demanda - O foco humanitário é o principal motivo que leva os empresários a desenvolver trabalhos de ação social, com 57%; o crescimento da demanda é a segunda causa da ajuda, com 47%. Atualmente, a maioria das ajudas vem na forma de doações de alimentos, com 52%; ações de assistência social ocupam a segunda posição com 41%. As crianças ainda são as maiores beneficiadas: 62% das ajudas vão para os menores, enquanto 39% dos beneficiados são idosos. Portadores de doenças graves recebem 17% da ajuda dada pelas empresas.
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