Ações sobem no Brasil e Argentina
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terça-feira, 30 de maio de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O mercado acionário surpreendeu ontem os analistas, que no fechamento de segunda-feira mostravam-se poucos animados com relação ao comportamento das bolsas na terça-feira pós-feriado em Nova York e Londres. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 3,22%, 15.248 pontos, com um volume financeiro de R$ 930 milhões. A boa influência do mercado norte-americano Nasdaq disparou 254 pontos, ou 7,94%, para 3.459,48 pontos e Dow Jones subiu 228 pontos, ou 2,21%, para 10.527,1 pontos contribuiu para o bom desempenho da Bovespa.
Em pontos, o avanço do índice Nasdaq foi o segundo maior de todos os tempos, uma fração abaixo da alta recorde de 254,41 pontos registrada em 18 de abril; em termos porcentuais, a alta do Nasdaq ontem foi recorde (o anterior, de 7,43%, havia sido alcançado em 21 de outubro de 1987), conforme apurou o editor Renato Martins. Um dos motivos que contribuiu para a alta do Ibovespa foi a calma com que os investidores enfrentaram o day after do anúncio do programa fiscal da Argentina, que inclui corte dos gastos do governo do país vizinho em US$ 938 milhões.
A Bolsa de Buenos Aires fechou com surpreendente alta de 3,65%. O pacote argentino já estava no preço, disse um operador. Os argentinos nem precisam ajudar. Basta não atrapalhar, disse, acrescentando acreditar na continuidade do descolamento da Bovespa do mercado internacional. Hoje a Bovespa saiu na frente das bolsas norte-americanas. Por isso não se pode dizer que o Ibovespa seguiu a alta da Nasdaq e do Dow Jones, disse o operador.
O mercado de câmbio teve um dia curioso nesta terça-feira. O dólar fechou em baixa, mesmo com as mesas de operações registrando fluxo cambial negativo. Normalmente, quando o volume de saída de recursos supera o volume de entrada, a cotação do dólar tende a subir. Mas, ontem, o bom desempenho dos mercados de ações em Nova York e em São Paulo acabou garantindo a queda do dólar.
O mesmo fato também pode ser contado sob outro ângulo, como afirmou um operador. O fluxo negativo impediu nessa terça-feira que o dólar caísse ainda mais, disse ele. O dólar passou todo o dia em baixa e, no encerramento dos negócios, fechou em queda de 0,44%, cotado a R$ 1,8310. Na mínima do dia, o dólar caiu 0,60%, a R$ 1,8280.
Operadores comentam que o mercado de câmbio começa a se descolar de Nova York sem, no entanto, perder Wall Street de vista. O período mais crítico da alta dos juros nos Estados Unidos parece ter passado. Por isso o mercado começa a se descolar. Mas ninguém pode descartar uma alta de 7% no Nasdaq, como aconteceu hoje, afirmou um operador. É claro que isso acaba exercendo influência no mercado doméstico, completou. Outro ponto de tensão para o mercado é a Argentina (leia na página 4).(Márcia Pinheiro, Mario Rocha e Francisco Carlos de Assis)


