Curitiba - Quando pensa em aposentadoria, o que vem à cabeça do brasileiro é a previdência pública (INSS). Mas, quase ninguém faz uma reserva financeira utilizando ações. A rentabilidade vem por meio dos dividendos e deve ser planejada em duas etapas.
A primeira é semear, ou seja, durante 15 ou 20 anos comprar ações que tenham alto potencial de crescimento. A dica é colocar dinheiro todo mês em papéis de boas empresas. Isso deve ser feito no começo da carreira da pessoa para ampliar o patrimônio.
O gerente geral do Instituto Nacional de Investidores (INI), Paulo Portinho, ensina que, quando o investidor atingir um bom patrimônio, deve selecionar empresas que pagam dividendos no patamar de 8% a 20% ao ano. São companhias de altíssimo nível, baixo risco e rendimento alto como as das áreas de telefonia, energia elétrica, fumo ou bens de capital (caminhões e máquinas). A saída são empresas mais maduras nas quais as receitas oscilam pouco como dos setores de gás natural e abastecimento de água.
Na área de ações, segundo Portinho, há uma ''proteção natural'' da inflação. ''Quando a pessoa vive de renda, tecnicamente, está aposentada'', disse. Segundo ele, o grande problema de investir em imóveis, renda fixa ou mesmo previdência privada é a rentabilidade baixa que varia de 2% a 6% ao ano acima da inflação.
Portinho conta que aplicar em ações com vistas à aposentadoria é uma prática muito comum em outros países mas, no Brasil, quase ninguém faz isso. Entre os motivos pelos quais as pessoas não possuem essa cultura estão o histórico inflacionário do País e o número baixo de investidores que estão na bolsa de valores - hoje cerca de 600 mil pessoas -, além do desconhecimento.
''Em países desenvolvidos, todo mundo que se aposenta usa ação'', destaca. Nos Estados Unidos, metade da população investe em bolsa, na Suécia 75% e, na Europa, 30% a 50%. ''No Brasil, as pessoas acreditam no INSS e no FGTS'', disse.
Ele lembra que a previdência privada pode oferecer uma rentabilidade maior que o INSS. O lado negativo deste tipo de modalidade é que possui custos altos como taxas de administração, de carregamento e imposto de renda. ''Serve para a pessoa que não tem nenhuma disciplina'', destacou. Portinho acredita que em um país que oferece rentabilidade baixa em renda fixa, não há outra opção a não ser buscar o risco, isto é, as pessoas terão que aprender a investir em ações um dia.
A dica principal é acompanhar as empresas das quais o investidor comprou ações e não a bolsa. Ter intimidade com as companhias, verificar quais os planos delas. ''O investidor precisa entender que é sócio dessas empresas e são elas que vão pagar a sua aposentadoria'', disse.
Enquanto a empresa estiver crescendo, a orientação é continuar a investir nela. Mas, o poupador deve checar cada vez que sai uma informação nova sobre a companhia, além de acompanhar as divulgações de resultados.

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