Pragas quarentenárias são espécies ou raças de vegetais, de animais ou outro agente causador de doenças, que são nocivos a produtos vegetais. A não-quarentenária regulamentada é aquela praga cuja presença em plantas para cultivo podem comprometer seu uso, com grande impacto econômico e, por isso, é regulamentada como tal no território do país que está importando a cultura.
Outro exemplo citado por Regina Vilarinho de prejuízo às exportações nacionais é o da Trogoderma granarium, inseto que ataca grãos armazenados. A espécie nunca foi detectada no País, mas a simples desconfiança de que algum grão importado pelo Brasil entrou infectado por este inseto, pode gerar uma barreira sanitária a todos os grãos brasileiros. O chamado complexo soja, por exemplo, é o primeiro item da pauta de exportação brasileira, o que inclui o grão, o óleo e o farelo. ''Atingiria toda essa cadeia'', observa a pesquisadora da Embrapa.
A rastreabilidade, ou seja, a identificação de todos os processos de controle de pragas, é classificada por Regina como uma ação importante não só para minimizar as barreiras sanitárias dos países que importam do Brasil, bem como para evitar a entrada de pragas pela importação de culturas ou fazer seu controle. Se o país importa uma cultura contaminada, a proliferação da praga causa ainda prejuízos econômicos internos, como a queda na produtividade, o uso mais intenso de pesticidas e a consequente, poluição do meio ambiente.
Um país que pretende ter uma agricultura segura do ponto de vista sanitário, na opinião da pesquisadora, tem que usar lançar mão das seguintes informações e ações: a listagem das espécies-pragas, o monitoramento das pragas, o tratamento adotado para o controle, o volume de aplicação seja de pesticida ou de inimigos naturais (o chamado controle biológico), além de dados regulares de apresentação dessas pragas. ''É preciso, por exemplo, rastrear as pragas existentes e as possíveis, para dar uma resposta mais rápida e reduzir a barreira'', explica.
Além disso, Regina Vilarinho considera importante que as ações sanitárias usem protocolos harmonizados com outros países. ''Precisamos usar métodos já aceitos em outros países para diminuir a barreira mais rapidamente'', apontou. As ações a serem propostas no âmbito da Rede de Pesquisa em Sanidade Vegetal são essenciais também para o combate ao bioterrorismo na agricultura. ''Imagine se alguém libera deliberadamente uma praga de expressão econômica no nosso território simplesmente com o objetivo de acabar com a disputa do seu país com o Brasil no mercado internacional, em relação a determinada cultura?'', indaga a pesquisadora.
O ministério da Agricultura elabora um Plano de Defesa Sanitária que deve absorver as propostas da rede. Um dos objetivos, por exemplo, é o de listar as 12 culturas mais importantes para o agronegócio e mapear as pragas que podem ameaçar sua produtividade, a exemplo do que foi feito pelos pesquisadores da rede para a soja. (Agência Brasil)

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