Ações são bom negócio mesmo com crise
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segunda-feira, 01 de dezembro de 2008
Cláudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Diante da crise financeira que assolou a economia mundial de setembro para cá, o sobe-e-desce do mercado de ações deixou os investidores apreensivos e algumas empresas desacreditadas. Em Curitiba, as principais empresas de capital aberto do Paraná reuniram-se na semana passada para repassar ao público de investidores individuais um maior conhecimento a respeito dos fundamentos de cada uma, estratégias e perspectivas diante das ações negociadas em Bolsa de Valores.
A 2ª Sul Ações contou com a participação da Bematech, GVT, Paraná Banco, Positivo Informática, ALL e Providência. Juntas, elas captaram mais de R$ 3,5 bilhões no mercado ao abrir capital. Com exceção da ALL, presente na Bolsa desde junho de 2004, as demais empresas ingressaram nesse mercado entre o final de 2006 e ao longo de 2007. Mais de 31 mil pessoas físicas figuram entre os acionistas dessas companhias. Em 2008, o lucro líquido acumulado pelas seis empresas, entre janeiro e setembro, é de quase R$ 600 milhões.
Segundo a consultora da BM&F BOVESPA Tércia Rocha, ''apesar do mercado estar instável e nervoso, as empresas não cancelaram as operações, o que demostra uma economia nacional sólida''. Ela diz que investir em ações é sempre um bom negócio, mesmo em tempos de crise, mas é preciso que o investidor saiba claramente se os objetivos dele são condizentes com as companhias disponíveis para compra e se há capital suficiente. ''A indicação é verificar junto a corretora o melhor pacote de investimento e ter em mente que há riscos, independente de crise ou não'', comenta. A Bovespa promove cursos de educação financeira para iniciantes em comercialização em Bolsa. As incrições devem ser feitas pelo site www.bovespa.com.br.
Na América Latina Logística (ALL), de serviços de transportes ferroviários, a projeção para 2009 é um crescimento de receita entre 12% e 15%, apesar das ações terem caído 51% no consolidado de janeiro a setembro deste ano. ''A reação do mercado nem sempre reflete a perspectiva da empresa. O cenário é de incerteza, então ações caem embora o resultado da empresa seja de lucratividade. O comportamento desconfiado de investidores é uma realidade em boa parte das empresas. Agora é tempo de confiar na solidez que a companhia apresentou durante o passar do tempo'', afirma a consultora de relações com investidores da ALL, Roberta Ehlers.
A defesa da ALL está nos números: nos nove primeiros meses do ano, a empresa apresentou lucro líquido de R$ 215 milhões, alta de 15% em relação a 2007. A pretensão é embarcar e transportar 12% a mais em volume que neste ano. ''Cerca de 70% dos contratos já estão firmados, então a receita continuará crescendo'', diz Ehlers para tranquilizar os investidores.
Mercado Atual
O mês de outubro fechou com 542.142 contas de pessoas físicas registradas na BM&FBovespa - número 75% maior que os 310.625 registrados no mesmo período do ano passado. Atualmente, as pessoas físicas representam 29,7% do mercado total de investidores no Brasil. Além disso, em outubro, 60 clubes de investimento foram criados, elevando para 741 o número de novos registros em 2008. No total, a Bolsa encerrou o mês de outubro com 2.757 clubes de investimento.


