Otavio Magalhães/AEIrregularidadesO físico Pinguelli Rosa mostra relatório que aponta irregularidades na privatização da ValeA Comissão Externa da Câmara de Deputados, formada para examinar os termos e as condições do processo de desestatização da Companhia Vale do Rio Doce, vai entrar com seis ações populares no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender o leilão de privatização da estatal, marcado para 29 de abril. Com base em relatório do Grupo de Assessoramento Técnico (GAT), formado na Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da UFRJ, a comissão parlamentar concluiu que a Vale foi subavaliada em mais de US$ 2 bilhões no levantamento feito pela Merrill Lynch, consultoria contratada para elaborar a modelagem de venda da estatal.
O GAT, formado por 22 professores da UFRJ, Universidade de Campinas (Unicamp), Escola Superior de Guerra (ESG) e consultores de empresas privadas, comparou as diferenças nos valores das tonelagens de minério calculadas pela própria Vale e pela Mineral Resources Development Inc. (MRDI), contratada pela Merrill Linch. O resultado foi de que empresa de consultoria internacional fixou valores inferiores aos declarados pela Vale para todas as reservas e recursos minerais. A maior diferença foi com relação ao minério de ferro de Carajás: 65% a menos do informado pela estatal, o que corresponde a uma diferença de US 1,3 bilhões a menos.
Na conclusão do relatório, assinado pelo físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe, os técnicos garantem que, ‘‘por si só, estas evidências explícitas, com dados extraídos da documentação exposta pelo BNDES, são suficientes para solicitar ao governo que reexamine o processo de privatização da CVRD’’.
O estudo foi encomendado pela comissão da Câmara, mas os deputados não vão tentar suspender, através de atos legislativos, a privatização da empresa. Segundo o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), os parlamentares decidiram pedir ao STF, em ações populares, a concessão de quatro mandados de segurança contra o presidente Fernando Henrique Cardoso e duas ações diretas de inconstitucionalidade para impedir a venda de 45% das ações da companhia, pelo preço mínimo estipulado pelo Conselho Nacional de Desestatização (CND).
Urânio Os opositores à venda da Vale do Rio Doce pretendem usar ainda a existência comprovada de urânio na área de Corpo Alemão, uma das mais promissoras da mina de Igarapé-Bahia, em Carajás (PA), para tentar conseguir a decretação de inconstitucionalidade do processo de privatização. O urânio é usado na produção nuclear e a Constituição proíbe a privatização de setores nucleares.

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