A Justiça da Argentina pode começar a receber uma enxurrada de processos contra a medida que limita a partir de hoje o saque das contas bancárias no país a um teto de US$ 250 por semana. ''As medidas são muito graves. Estão produzindo um confisco disfarçado. Embora possa se mexer nos depósitos, por meio de cartões, o governo, ao limitar enormemente a liberação de dinheiro, promoveu uma restrição ao direito de propriedade'', disse Daniel Sabsay, um dos juristas de maior prestígio no país.
Advogados alegam que mover uma ação talvez não compense, devido às medidas vigorarem, teoricamente, por pouco tempo. O ministro da Economia, Domingo Cavallo, afirmou que as medidas estarão em vigor até a conclusão da restruturação da dívida pública no mercado externo. ''Em torno de três meses.''
Um precedente jurídico deve dificultar as decisões favoráveis aos processos movidos por argentinos na tentativa de recuperar o direito de arbitrarem sobre suas contas bancárias. Em janeiro de 90, o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999) confiscou as poupanças dos argentinos. Milhares de argentinos entraram na Justiça para reaver seu dinheiro. E perderam.
As reações contrárias à imposição de limites aos saques podiam ser vistas na frente da residência presidencial de Olivos. Dezenas de pessoas paravam os ministros e outros funcionários do alto escalão do governo que passavam pelo local.

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