Ações judiciais impedem venda da Vale
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de abril de 1997
Agência Folha de Rio de Janeiro 
Uma avalanche de ações judiciais e de liminares impediu a realização do leilão de privatização da Vale do Rio Doce ontem, como previsto pelo governo. O leilão estava marcado para as 10 horas da manhã na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, foi suspenso e por volta das 21 horas a última tentativa do governo de vender a estatal foi derrubada.
O vice-presidente do BNDES, José Pio Borges, informou que o banco está publicando fato relevante nos principais jornais convocando para novo leilão da Vale, hoje às 10 horas. Segundo Borges, se também hoje houver algum impedimento ao leilão, o BNDES continuará insistindo diariamente, até conseguir vender a Vale.
Na última tentativa, o governo tentou apelar ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) para reverter liminares contrárias à realização do leilão concedidas pela Justiça em São Paulo. Os advogados da União entraram com duas petições no tribunal, mas o Tribunal decidiu manter a proibição do leilão por volta das 21 horas. O presidente do STJ, Romildo Bueno de Souza, indeferiou as ação para cassar as liminares.
Batalha judicial - A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro teve ontem um dia de extremos: muita tensão e grande tédio. Às 7 horas, a bolsa já estava movimentada, com convidados e jornalistas chegando para assistir ao leilão de privatização da Companhia Vale do Rio Doce - logo depois começou o corre-corre atrás de oficais de Justiça que traziam liminares suspendendo o leilão - ao todo, durante o dia, segundo a bolsa, foram cinco -, sob o rumor de manifestantes que, na Rua Primeiro de Março, perto da institutição, entravam em choque com a a Política Militar.
Depois das 14 horas, sem mais visitas de oficiais de Justiça e com o esvaziamento da manifestação, reinava o tédio, que só terminou quando, às 17h10, a assessoria de imprensa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) avisou que o ministro do Planejamento, Antonio Kandir, estava convocando os jornalistas para uma entrevista coletiva, na sede do banco.
Com a convocação da entrevista, a própria Bolsa de Valores decidiu desmobilizar o esquema que permitiria a realização do leilão até a meia-noite - posteriormente, voltou atrás e informou que a mobilização continuava. O leilão estava marcado para as 10 horas de ontem, mas não pode ser aberto por força da manutenção de uma liminar pelo Tribunal Regional Federal de São Paulo, além de outras ainda sem julgamento dos pedidos de cassação feitos pelo governo.
Após algum tempo, em que somente chegavam oficiais de Justiça com novas liminares e notícias de outras medidas cassadas, os convidados foram se retirando e a bolsa ficou ocupada basicamente pelo batalhão de jornalistas.


