Embalado pelos mais recentes sinais de recuperação da economia, como o crescimento nas vendas do comércio para o Natal, o Ibovespa encerrou o último pregão de 2017 com ganho de 0,43%, o sexto resultado positivo consecutivo.

Também contou a favor a ausência de alterações de rating do Brasil por parte da agência de classificação de risco Standard & Poor's, pois os investidores chegaram a considerar a possibilidade de algo ser anunciado durante este último dia de negociação, em razão da tradição dela de evitar revisões em anos eleitorais. Com isso, o mês terminou com avanço de 6,16% e o ano com alta de 26,86%, aos 76,4 mil pontos.

O volume de negócios no pregão desta quinta-feira (28) foi baixo, de R$ 7,01 bilhões, muito em razão da ausência de notícias relevantes no ambiente político ou econômico. Nem mesmo a revisão da carteira da B3 foi capaz de mexer fortemente com os negócios, uma vez que muitas corretoras já haviam feito seus ajustes nos últimos meses.

O fator que continuou empurrando a Bolsa para cima foi a percepção de que o movimento do comércio para o Natal deste ano foi positivo. "As varejistas estão indo bem", observou Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos.

Para as primeiras semanas de 2018, a expectativa é de nova alta da Bolsa. "Espera-se que o Banco Central (BC) aplique um corte de pelo menos 0,25 ponto porcentual na primeira reunião do Copom em 2018 (em fevereiro). Os juros mais baixos favorecem a Bolsa porque a renda fixa se torna menos interessante e isso faz com que mais gente invista em renda variável", afirmou Ariovaldo Santos Ferreira, gerente de renda variável da H. Commcor. "Além disso, o PIB deve crescer em 2018, o que é positivo para as empresas listadas na Bolsa, que vão gerar mais dividendos para seus acionistas e vão se tornar mais atraentes", acrescentou.

DÓLAR

Nesta última sessão de 2017, o dólar à vista encerrou cotado em R$ 3,3155, alta de 0,09% em relação ao fechamento anterior. No ano, apurou valorização de 1,95% ante o real. A moeda chegou a se firmar em baixa e a renovar mínimas em sequência durante à tarde nesta quinta-feira, mas na hora final dos negócios o mercado de câmbio adotou alguma cautela antes do feriado prolongado de Ano Novo, que para o mercado começa já na sexta-feira, 29, quando não haverá negócios.

Em especial, os investidores também estão monitorando a movimentação das agências de risco, principalmente a Standard & Poor's, em relação a uma possível piora na nota de risco do País nesta reta final de 2017. Além disso, o fato de a moeda ter recuado abaixo de R$ 3,30, nas mínimas, teria atraído fluxo comprador e contribuído para virada de sinal.

No segmento à vista, o dólar oscilou da mínima de R$ 3,2961 (-0,49%) à máxima de R$ 3,3173 (+0,15%). O volume financeiro somou US$ 2,213 bilhões. Em dezembro, a moeda acumulou alta de 1,39%. A taxa fechou aos R$ 3,3080, com alta de 0,15% em relação ao fechamento anterior. Com o resultado diário, a taxa Ptax acumulou em dezembro alta de 1,42% e, no acumulado do ano, subiu 1,50%. O dólar futuro para fevereiro, o contrato agora mais líquido, encerrou em R$ 3,3300, baixa de 0,05%.

JUROS FUTUROS

Os juros futuros encerraram em baixa a última sessão do ano. Sem um possível rebaixamento do rating brasileiro e em meio à liquidez reduzida, os ajustes promovidos foram mínimos nesta quinta-feira. A inclinação da curva a termo, porém, atesta a cautela com o cenário doméstico. O possível downgrade estaria até em parte embutido nos contratos, mas preocupações sustentam prêmios de risco.

"O rebaixamento seria só um carimbo", afirmou o economista-sênior do Haitong Banco de Investimento do Brasil, Flávio Serrano. "Pode haver reação ao anúncio", reconheceu, ponderando que não a ponto de estressar os investidores. "O quadro fiscal é um dos fatores que levaria as agências a rebaixarem a nota do Brasil e o mercado antecipa", emendou, lembrando a frustração com a não aprovação da reforma da Previdência em 2017.

Na curva a termo, há precificação de mais de 400 pontos-base de alta da Selic, calculou Serrano, o que levaria a Selic para algo entre 11,5% e 11,75%. "Se considerarmos que o juro ainda cai a 6,75% em fevereiro, daria mais de 500 bps de 'hike'", detalhou, avaliando que isso reflete "ambiente de incerteza, de fiscal ruim".

Para o Comitê de Política Monetária (Copom) de fevereiro, havia nesta quinta 80% de chances de redução da Selic em 0,25 ponto porcentual embutidas nos contratos de curtíssimo prazo, ainda nos cálculos de Serrano, do Haitong. A aposta para o encontro seguinte, de março, depende da decisão e da mensagem da autoridade no comunicado que acompanhará o anúncio.

Ao fim da sessão estendida, o taxa do Contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2019 era de 6,87%, ante 6,88% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2020 apontava 8,09%, de 8,11%. A taxa do DI para janeiro de 2021 era de 9,07%, de 9,10% no ajuste da véspera, e a do DI para janeiro de 2023, de 10,01%, ante 10,06%.

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