As ações anticíclicas implementadas pelo governo para diminuir o impacto da recessão no Brasil causada pela crise internacional foi importante para acelerar a recuperação dos investimentos, ponderaram os especialistas. Para o economista-chefe do HSBC, André Lóes, as medidas adotadas pelo Poder Executivo para estimular o consumo interno, como a redução de IPI para a compra de carros novos e produtos da linha branca, além da redução de tributos para a venda de materiais de construção, foram eficientes para limitar a retração do PIB ao período registrado entre outubro de 2008 a março deste ano. De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a renúncia fiscal do Executivo federal com tais medidas deve atingir R$ 34 bilhões neste ano.
Contudo, segundo Mantega, estes recursos evitarão que o produto interno bruto apresente um resultado negativo em 2,5 pontos porcentuais em relação à marca que será atingida neste ano. Isto significa dizer que caso o País cresça 0,5% em 2009, sem as medidas federais implementadas ocorreria uma retração de 2%.
O professor da FGV-RJ, Rogério Sobreira, chama a atenção que a evolução dos investimentos no curto prazo dependem em parte da condução das políticas fiscal e monetárias no curto prazo, especialmente para 2010. Ele ressalta que a magnitude da elevação dos juros no próximo ano será pautada de forma relevante pelo ímpeto do governo em elevar os gastos públicos. Aumentos significativos da Selic vão contra a rota de crescimento dos investimentos, ressalta o acadêmico.
Para Sobreira, como a atual evolução do nível de atividade mostra que a economia do País está retomando um bom ritmo de expansão, o governo deveria reduzir gradualmente as desonerações tributárias que concedeu neste ano para evitar que o País atingisse uma recessão profunda.
Na avaliação do professor da FGV-RJ, seria importante que o governo retomasse com mais vigor a política de ajuste fiscal, que seria caracterizada no próximo ano com a retomada do superávit primário de 3,3% do PIB. Mas como em 2010 ocorrerão eleições gerais, entre elas haverá a escolha do sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele não acredita que o Poder Executivo reduzirá o ''ativismo fiscal'' de forma marcante.
Na avaliação do acadêmico, os gastos oficiais vão colaborar de modo significativo com a expansão da demanda agregada nos próximos quatro trimestres. Para Rogério Sobreira, o Banco Central vai elevar os juros de forma suave no segundo semestre do próximo ano.

mockup