Curitiba Os acionistas minoritários do Banestado estão preocupados com a perda de valor das ações do banco, hoje de propriedade do Itaú. De acordo com ex-funcionários, que compraram as ações, os papéis simplesmente viraram pó, desde que o banco foi privatizado em outubro de 2000.
O funcionário aposentado do Banestado Vicente Moro, que trabalhou nas agências de Planaltina do Paraná (57 km a oeste de Paranavaí) e de Santa Izabel do Ivaí (92 km a oeste de Paranavaí), foi um dos que virou acionista minoritário por imposição. Segundo ele, cada funcionário do banco tinha uma cota de ações para vender para os clientes durante o mês.
Quando não atingiam a cota, eles eram obrigados a comprá-las. Moro tem 1.510 ações preferenciais e mais 125 ordinárias, que juntas chegaram a valer R$ 9 mil, antes da privatização do banco. A ação tinha o valor nominal de R$ 5,63 cada. Só que atualmente elas não valem nada. Nas corretoras, o valor da ação do Banestado é de R$ 0,93 cada uma, mas o papel tem pouca liquidez.
Para os analistas de mercado, essa situação pode ser revertida e os minoritários ainda poderão recuperar parte ou a totalidade do investimento. Eles precisam ter paciência e aguardar o momento do Itaú, controlador do Banestado, fazer uma oferta pública de recompra de ações do banco, disse o analista de mercado, Mohamed Talah Júnior, da corretora Century Investimentos Ltda.
De acordo com o analista, o Itaú só vai conseguir fechar totalmente o capital do Banestado quando comprar 100% das ações do banco. Júnior acredita que o Itaú deverá fazer essa oferta pública somente após 2005, quando expira o prazo contratual para a existência da marca Banestado. Até lá, o banco Itaú ainda quer resolver as pendências do Banestado em relação à compra de precatórios, disse o analista. Na época, o Itaú recebeu como garantia ações da Copel para quitar o valor desses papéis.É por essa razão que o anúncio de oferta pública ainda não deve ter saído, disse Júnior.
O Itaú informou, através de sua assessoria de imprensa, que ao longo do ano passado fez três ofertas de recompras de ações. O banco lamenta que muitos funcionários não aproveitaram a oportunidade. O Itaú confirmou que deverá fazer a oferta pública para recompra de 100% das ações dos minoritários, mas não informou quando isso vai acontecer.

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