São Paulo - A ação orquestrada por seis grandes bancos centrais para fornecer mais liquidez ao sistema financeiro internacional e um suposto plano para criação de um fundo do governo dos Estados Unidos para assumir as dívidas podres dos bancos favoreceram altas na bolsas apesar da grande instabilidade. No Brasil, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) subiu 5,48%, fechando aos 48.422,8, enquanto que o dólar disparou: o dólar no balcão subiu 3,32%, a R$ 1,93, o maior valor desde 19 de julho de 2007.
Com a elevação de hoje, a divisa já registra ganho de 18,19% no mês de setembro. Na roda da BM&F, o pronto aumentou 3,71%, a R$ 1,93. Em Wall Street, o Dow Jones terminou em alta de 3,86%, aos 11.019,69 pontos; S&P subiu 4,33%, para 1.206,51 pontos; e Nasdaq avançou 4,78%, para 2.199,10 pontos.
A Bovespa teve dois comportamentos durante o pregão de ontem: um registrado na primeira e na última hora do pregão e, outro, entre estes dois períodos. A ação coordenada pelos seis principais bancos centrais do mundo proporcionou uma arrancada às ações domésticas logo na abertura, mas o vigor não se sustentou, dando espaço para uma volatilidade elevada, acompanhando Wall Street.
Mas as bolsas norte-americanas dispararam no final da sessão, levando o Ibovespa a fechar com a terceira maior alta porcentual de 2008. A recuperação vista nas bolsas aqui e nos EUA não se repetiu no mercado de renda fixa doméstico e, com isso, dólar e juros futuros de longo prazo fecharam com taxas bastante elevadas.
Nos juros, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), apesar de destacar as incertezas do cenário externo, não chegou a fazer preço, com os investidores voltados totalmente aos fatores técnicos que há dias vêm dando tom aos negócios. Em mais uma sessão de forte liquidez, a curva seguiu empinando, refletindo mais movimentos de zeragem de posições. O DI janeiro de 2010 (347.585 contratos) disparou a 15,30%, de 14,85% ontem, enquanto o DI janeiro de 2012, com 109.175 contratos, subiu de 14,80% para 15,32%. O DI janeiro de 2009 (132.700 contratos) terminou em 14,05%, de 14,02% ontem.
No mercado de câmbio, o dólar à vista disparou frente ao real em reflexo a mais um capítulo da falta de vendedores no mercado cambial. A expressiva alta nas taxas de FRA (Forward Rate Agreement) de cupom cambial, referência para o juro em dólar no Brasil, referenda a falta de oferta da divisa americana nas operações domésticas. Nesse cenário, o Banco Central decidiu intervir e, de Nova York, Henrique Meirelles anunciou a decisão de promover leilões de venda de dólares conjugados com compra futura. A ação visa a corrigir distorções de liquidez no mercado.
Euforia
Duas notícias causaram euforia nos negócios. Uma delas foi o suposto plano para a criação de um fundo do governo dos EUA para assumir as dívidas podres dos bancos e as iniciativas para limitar as vendas a descoberto dos papéis financeiros.
Segundo a cadeia de notícias CNBC, o secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, está trabalhando na criação de uma facilidade do governo para assumir dívidas pobres das instituições financeiras.
A outra notícia é de que o Calpers, fundo de pensão dos servidores públicos da Califórnia e o maior dos EUA, anunciou que a partir de ontem não irá mais emprestar ações do Goldman Sachs e do Morgan Stanley. O objetivo é coibir vendas a descoberto dos papéis, cuja reação ao anúncio foi imediata: de queda passaram a ganhos e reforçaram a participação do setor da reversão das bolsas.
No Brasil, a recuperação da Bovespa ainda encontrou um terreno favorável, com os preços baratos depois do tombo de 6,74% de ontem e também após o presidente do Banco Central ter anunciado que a instituição vai promover leilões de venda de dólares. Com tudo isso, e ainda com a alta do petróleo no mercado externo - o contrato para outubro subiu 0,74%, para US$ 97,88 - as ações da Petrobras conduziram a guinada do Ibovespa. Petrobras ON avançou 7,06% e PN, 8,05%, esta com giro de R$ 1,291 bilhão. Vale ON teve alta de 7,28% e PNA, de 7,45%. Os ganhos também foram desta magnitude nos setores siderúrgico e bancário.

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