Curitiba As ações da principais empresas de energia elétrica desabaram ontem na Bolsa de Valores de São Paulo, como reflexo da insatisfação com o anúncio do novo modelo energético do Ministério das Minas e Energia. As empresas esperavam estímulos para novos investimentos no setor elétrico, o que não ocorreu. Politicamente, o modelo também não foi bem aceito.
O governador Roberto Requião (PMDB) protestou. Enviou um telegrama para o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, demonstrando inconformismo com a Medida Provisória (MP) que lançou o novo modelo energético. Requião reclama da falta de ampla discussão sobre o assunto e assinala que o Paraná não pode ser prejudicado por ter investido na geração de energia.
Requião não aceita o mecanismo da Câmara de Compensação, criado pelo modelo energético, em que a Copel tem que vender a energia barata que produz para o governo federal. E depois a câmara revende essa mesma energia para todas as distribuidoras, inclusive a paranaense, fixando um custo médio que inclui a energias barata e caras de estados que não investiram em energia.
Na Bolsa de Valores, a ação preferencial (PN) da Copel caiu 6%, a ação da Cemig (Centrais Elétricas de Minas Gerais ), caiu 4,5%, a Cesp (Centrais Elétricas de São Paulo) caiu 7,34% e a Eletropaulo, também de São Paulo caiu 6%. A insatisfação é consequência da criação de mais burocracia para construção de novas usinas, ao invés de estímulos fiscais ou de crédito, afirmou o analista Mohamed Talah Júnior, da corretora Century Gestão de Recursos.
Para a Copel, que atua na geração, distribuição e transmissão de energia, a empresa pode ter melhores condições de competir no mercado se tiver uma administração competente, disse o analista. Se a empresa tiver seus ganhos reduzidos com a geração, poderá compensar esse custo com a distribuição repassando o aumento da tarifa ao consumidor. ''Resta saber se o governo, que é acionista majoritário da empresa, vai impedir o repasse dos aumentos de custos que virão para as tarifas'', observou o analista.
Para o consumidor, a novidade do novo modelo elétrico é que ele acaba com o seguro-apagão em 2004 e não 2006 como foi previsto. No Paraná, os consumidores pagam R$ 0,0057 por quilowat/hora consumido, taxa que gera uma contribuição de R$ 2,1 milhões anuais para a Câmara Brasileira de Energia Emergencial (CBEE), órgão vinculado ao Ministério das Minas e Energia. O seguro-apagão foi instituído em 2001 para gerar arrecadação que seria investida no setor elétrico para evitar novo apagão.

mockup