Sinal amarelo para os investimentos em ações de empresas do varejo. As altas taxas de juros, a inadimplência crescente e o desemprego sugerem cautela quanto às perspectivas de desempenho do setor ao longo deste ano. Desde a crise nos países asiáticos, que forçou o governo brasileiro a dobrar a taxa de juros básica da economia no final de 97, o varejo não respira bem, especialmente aquele que é mais dependente da venda financiada.
A retração do consumo aliada à menor disponibilidade de dinheiro em caixa acabou levando algumas grandes empresas, inclusive as que têm ações negociadas em Bolsa, a encerrar 97 com prejuízo. E esse mau resultado fez os preços de alguns papéis despencarem. A rede de lojas Arapuã, por exemplo, viu no início de 97 o preço das suas ações preferenciais ser cotado a R$ 18,73 (lote de mil). Após o arrefecimento do consumo e da crise na Ásia, no final do ano passado, esse preço havia caído para R$ 4,00 (lote de mil).
Outro peso-pesado do comércio de bens duráveis (eletroeletrônicos), a Globex, que controla a rede de lojas Ponto Frio, teve desempenho semelhante em 97. No início do ano passado, a ação preferencial da empresa era cotada a R$ 15,95. Em dezembro, a ação já estava em R$ 6,33. No caso da Arapuã, os preços dos papéis continuaram a cair neste ano, sobretudo depois de a empresa ter anunciado prejuízo de R$ 183 milhões no ano passado. Na última quinta-feira, o lote de mil ações valia R$ 3,50. Na Globex/Ponto Frio, o lucro de US$ 43,9 milhões registrado em 97 contribuiu para elevar o valor da ação da empresa. Na última quinta-feira, estava em R$ 9,80.
A expectativa do desempenho do varejo ainda é incerta. ‘‘Estamos cautelosos quanto à recuperação da rentabilidade desse setor, especialmente daquele que depende da venda a crédito’’, afirma Aline Prado, analista de
investimento do Lloyds Asset Management. Embora a trajetória dos juros seja decrescente, diz, os juros cobrados dos consumidores ainda são elevados e a inadimplência e o desemprego continuam altos.
Quanto às empresas do varejo de alimentos e de roupas, segundo analistas, as perspectivas são mais favoráveis, pois essas empresas não são tão dependentes do financiamento. Ainda assim o investidor continua desconfiado com os papéis das empresas de varejo. Isso porque essa atividade é muito sensível às ações do governo, diz Fátima Sacco, analista do Unibanco.
Em outubro do ano passado, quando o governo mexeu nos juros, diz, o lote de mil ações do Pão de Açúcar valia R$ 12,40. Em janeiro deste ano subiu
para R$ 20 e na quinta-feira estava em R$ 27. Mesmo considerando essas altas, os analistas sugerem cautela, pois não vêem grandes chances dessas ações se valorizarem, pois elas já estariam cotadas a valores considerados justos. Para Magali Bim, analista do BBA Paribas, entretanto, a situação das empresas do setor tende a melhorar no segundo semestre.

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