A empresa Paraná Investimentos S.A - companhia de capital fechado criada pelo governo do Estado - fez mais um aumento de capital para poder garantir a contrapartida aos financiamentos internacionais do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial (Bird). O aporte foi de R$ 122,9 milhões, recursos que vieram das ações da Companhia Paranaense de Energia (Copel). O governo do Estado precisa injetar, neste ano, R$ 500 milhões nos programas Paraná 12 Meses e Programa de Incentivo ao Ensino Médio (Proem). Para viabilizar a operação, o governo tem usado as ações das companhias de energia e saneamento como garantia para os empréstimos.
‘‘Temos que fazer aumento de capital, cada vez que há necessidade de aporte da capital para os programas’’, afirmou o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. Ele disse que a operação representa o caminho natural para a empresa poder operar no Estado. A assembléia dos acionistas foi realizada em 13 de julho e a ata da reunião foi publicada no Diário Oficial no último dia 20 de agosto.
Arquivo Folha‘Solução’Gionédis, secretário: ‘‘Caminho natural para a empresa operar’’Sem recursos suficientes no Tesouro Nacional, o governo recorreu às ações da Copel para viabilizar o repasse do dinheiro para os dois programas, acusa a oposição, liderada pelo PMDB. Eles chegaram a cogitar que o governo estaria vendendo as ações da Copel para injetar dinheiro na fábrica da Renault, possibilidade descartada após a constatação de que o repassse para a montadora francesa, da qual o governo é acionista, se dá pela Agência de Desenvolvimento e não pela Agência de Investimentos. Além disso, as ações não são vendidas, elas ficam apenas como garantia para lastrear financiamentos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O receio da oposição é que o governo não consiga honrar o compromisso de pagamento das dívidas e tenha que entregar as ações da Copel colocadas como garantias. Mas o governo descarta esta possibilidade. ‘‘Os empréstimos são negociáveis, por isso é difícil imaginar que teríamos que converter as ações para pagar a dívida’’, afirmou ontem o presidente da Copel, Ingo Hubert. Parafraseando o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, Hubert disse que ‘‘dívida não se paga, administra-se’’. Mas ele admitiiu que ‘‘em última análise, há a transferência das ações’’.
Hoje, 14% do capital social da Copel está na Paraná Investimentos. São ações pertencentes ao governo do Estado que subscrevem o capital da empresa. Com a inclusão das ações da Copel, o capital da Agência passou de R$ 332 milhões para R$ 454,9 milhões, dividido em 454,9 ações ordinárias nominativas sem valor nominal. Cada ação ordinária dará direito a um voto nas deliberações da assembléia geral. ‘‘O aumento de capital é feito para dar mais poder de lastro ao governo’’, afirmou Hubert.

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