São Paulo – Quem aplicou dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) na compra de ações da Companhia Vale do Rio Doce está sorrindo. Desde a liquidação da oferta pública, no último dia 27 de março, as ações da Vale já renderam 39,63%, incluindo o desconto de 5% concedido pelo governo. Na sexta-feira, o papel fechou em alta de 1,45%, cotado a R$ 75,99.
Para ter direito a esse desconto, o investidor só poderá se desfazer das ações a partir do dia 27 de setembro, isto é, seis meses após a liquidação da oferta.
As ações driblaram a denúncia de cobrança de propina na privatização da mineradora em 1997, divulgada no início do mês pela revista ‘‘Veja’’. A alta do dólar no mês favorece as receitas da companhia, que tem perfil exportador.
Com a valorização dos papéis da Vale, já há banco recomendando vender as ações. Um exemplo é a corretora do HSBC. A atual cotação já superou o preço-alvo de R$ 72,20 para a ação da Vale.
No entanto, se o investidor vender agora as ações, ele perde o desconto de 5%.
A Vale engorda suas receitas com a alta do dólar em ano eleitoral, marcado pela tensão e volatilidade. No entanto, essa vantagem pode ser anulada por uma notícia divulgada na semana que passou pela companhia.
A Vale vai vender este ano minério de ferro e pelotas até 5,47% mais barato para TKS (Thyssen Krupp Stahl).
Na última quarta, as duas companhias chegaram a um acordo sobre os preços dos embarques para 2002, que devem servir de referência para outros clientes da Vale.
A tonelada da pelota de alto forno será vendida por US$ 47,36, uma queda de 5,47% em relação ao preço do ano passado (US$ 50,10).

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