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MERCADO-FINANCEIRO:

m de leitura Atualizado em 20/06/2022, 19:09

Ações da Petrobras vivem dia de montanha-russa com queda de presidente

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de junho de 2022

Clayton Castelani - Folhapress
AUTOR autor do artigo

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
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São Paulo - A mudança no comando da Petrobras levou as ações da companhia a um movimento de montanha-russa nesta segunda-feira (20) na B3, a Bolsa de Valores brasileira. Os papéis da empresa conseguiram, porém, encerrar a sessão com ganhos, embora sobre um patamar baixo devido à forte queda na semana passada.

Leia mais: https://www.folhadelondrina.com.br/economia/renuncia-agiliza-nomeacao-de-indicado-de-bolsonaro-na-petrobras-3207198e.html

As ações ordinárias (PETR3) subiram 0,87%, a R$ 30,19. Os papéis preferenciais (PETR4) avançaram 1,14%, valendo R$ 27,62.

Apesar da recuperação parcial da Petrobras, o Ibovespa obteve apenas uma ligeira alta de 0,03%, encerrando o dia com 99.852 pontos. Com esse resultado, portanto, o índice de referência da Bolsa não recuperou a casa dos 100 mil pontos, perdida na última sexta-feira (17).

Pesou sobre o desempenho do Ibovespa nesta sessão o tombo de 2,47% da Vale. A mineradora foi prejudicada pela desvalorização de quase 8% dos contratos futuros de minério de ferro ante temores de queda na demanda.

Refletindo o ambiente de aversão aos investimentos de risco, o dólar subiu 0,81%, a R$ 5,1880.

Ainda sobre a Petrobras, as negociações da petrolífera controlada pelo governo foram suspensas por duas vezes no início do pregão desta segunda devido aos comunicados sobre a renúncia do presidente da companhia, José Mauro Coelho, e da nomeação de Fernando Borges para ocupar a presidência interinamente.

No intervalo entre as suspensões, por volta das 11h, ambas chegaram a cair mais de 4%.

Retiradas temporárias de ações do pregão ocorrem sempre que há alguma divulgação ou movimento de mercado capaz de provocar oscilações potencialmente prejudiciais à operação.

A queda do presidente da estatal ocorre depois de o governo de Jair Bolsonaro (PL) intensificar a pressão sobre a companhia após o anúncio do aumento dos combustíveis na semana passada.

Na sexta-feira, críticas de políticos à companhia provocaram forte queda das ações da empresa, enquanto o mercado doméstico ainda tentava se ajustar à alta histórica dos juros nos Estados Unidos.

Os papéis ordinários e preferenciais da companhia fecharam o pregão com perdas de 7,25% e 6,09%, respectivamente.

A PETR3 caiu ao seu menor valor de fechamento neste ano, R$ 29,92, abaixo do piso de R$ 30,57 registrado em 6 de janeiro.

Após o anúncio do aumento, o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que a Petrobras "pode mergulhar o Brasil num caos". Já o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), afirmou que "vai para o pau" para "rever tudo de preços" e que vai trabalhar para taxar o lucro da petroleira.

Somente na última sexta, a estatal perdeu R$ 27,3 bilhões em valor de mercado, segundo a plataforma de dados financeiros Economatica.

"A Petrobras perdeu R$ 30 bilhões. Acredito que, na segunda-feira (18), com a CPI, vai perder outros 30", disse Bolsonaro durante um culto evangélico em Manaus (AM). A ameaça de uma CPI foi feita pelo presidente também na última sexta, após o anúncio do reajuste.

O desempenho negativo das ações da Petrobras contribuiu para que o Ibovespa caísse 2,90%, aos 99.824 pontos, na sexta. Essa foi a pontuação mais baixa para um fechamento da Bolsa desde o início de novembro de 2020, última vez que o indicador havia ficado abaixo dos 100 mil pontos.

No acumulado da semana passada, o Ibovespa afundou 5,36%, registrando a maior perda semanal desde a queda de 7,28% em outubro do ano passado.

Investidores pesam cada vez mais os riscos de que a proximidade das eleições potencialize medidas que possam comprometer o funcionamento do mercado, aumentar a pressão inflacionária e gerar mais gastos públicos.

A crise envolvendo uma das principais empresas da Bolsa brasileira ocorre em um momento de aumento das preocupações sobre os rumos da economia mundial.

Gestores discutem a possibilidade de uma recessão global após, na última quarta-feira (15), o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) ter confirmado um aumento de 0,75 ponto percentual da sua taxa de juros. É a maior alta aplicada pela autoridade monetária dos Estados Unidos desde 1994.

O aumento aplicado pelo Fed elevou a taxa de referência para o empréstimo diário entre bancos (parâmetro para o setor de crédito em geral) para um intervalo entre 1,5% e 1,75% ao ano.

Na próxima quarta-feira (22), o presidente do Fed, Jerome Powell, discursará em audiência no Senado, oportunidade para que o mercado avalie os próximos passos da autoridade monetária após o aumento histórico dos juros.

O mercado de ações dos Estados Unidos ficou fechado nesta segunda-feira devido às celebrações do Juneteenth, feriado nacional que comemora a emancipação dos afro-americanos escravizados.

ENTENDA QUANDO AS AÇÕES SAEM DO PREGÃO

Desvalorizações ou valorizações superiores a 10% das ações de uma empresa podem fazer com que a Bolsa leve esses papéis a leilão, como é chamado o mecanismo para evitar oscilações prejudiciais à operação.

No caso de um pregão em andamento, essa queda precisa ser em relação ao valor do ativo na abertura do mercado. Na última sexta, a queda de aproximadamente 10% da ações da Petrobras ocorreu em relação ao fechamento do dia anterior e não sobre o valor de abertura.

Uma ação que entra em leilão passa a ser negociada fora do pregão. Ela entra para um sistema fechado de ofertas por cinco minutos. O período pode ser prorrogado diversas vezes até que haja a estabilização do preço.

A suspensão temporária também depende de outros fatores, como a comparação da movimentação no dia com a média recente.

Papéis também podem ser tirados temporariamente de negociação devido à divulgação de um fato relevante, como é chamado o comunicado oficial feito por uma empresa sobre algum acontecimento com potencial de influenciar o preço das suas ações.

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